Estudo revela que 4 milhões de mulheres nunca frequentaram um ginecologista


Domingo | 24 de fevereiro, 2019 | 07h15


Uma em cada cinco das brasileiras com 16 anos ou mais não cuida adequadamente da saúde sexual e reprodutiva.

As mulheres brasileiras estão deixando a saúde sexual e reprodutiva em segundo plano. Pelo menos é isso que aponta estudo realizadado pela Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) em parceria com o Datafolha. A pesquisa “Expectativa da mulher brasileira sobre sua vida sexual e reprodutiva” divulgada em fevereiro à imprensa de São Paulo, preocupa os especialistas em medicina por trazer à tona o alto número de mulheres que não costumam ir ou nunca foram a um ginecologista-obstetra.

 

De acordo com as informações, 6,5 milhões de brasileiras não frequentam o ginecologista. Foto: divulgação / Febrasgo

 

De acordo com as informações, 6,5 milhões de brasileiras não frequentam o ginecologista, 4 milhões nunca foram e 16,2 milhões não vão a uma consulta com esse especialista há mais de um ano.

Esse cenário aponta que 20% das mulheres com 16 anos ou mais (ou seja, uma em cada cinco) correm o risco de ter algum problema ginecológico por desconhecimento, descaso ou deszelo com a prevenção.

Marcos Felipe Silva de Sá, diretor científico da FEBRASGO, comenta que tais números representam o perfil da sociedade brasileira “É evidente que é uma questão da educação da população, além dos serviços da rede pública que também não são alcançáveis ao povo”.

A suspeita de gravidez é um dos mais recorrentes motivos para a procura de um ginecologista-obstetra, principalmente entre as mulheres com baixo nível de estudo (Fundamental). Apenas cerca de metade do público vai a um especialista pela primeira vez por razões preventivas.

O doutor César Fernandes, presidente da FEBRASGO, lamenta a constatação: “Essa não deveria ser a razão da primeira consulta. Acho que falta, por parte de todos nós, médicos e educadores, por exemplo, um pouco mais de conscientização e empenho. Já os gestores e muitas autoridades pecam pela falta de compromisso e inconsistência de políticas. A primeira consulta, tem de ser regra, deve ocorrer assim que a jovem inicia o período de vida menstrual”.

A idade média da primeira ida ao ginecologista é de 20 anos. Agnaldo Lopes da Silva, vice-presidente FEBRASGO, da região Sudeste, acredita que a ida tardia ao especialista resulta em uma perda de oportunidades.

“Procurar mais cedo o ginecologista pode fazer toda a diferença para essas mulheres terem uma vida mais saudável e planejar o seu futuro”.

 

Especialista acredita que a ida tardia ao consultório pode fazer toda a diferença na saúde feminina. Foto: divulgação / Febrasgo

 

A doutora Maria Celeste Osório Wender, vice-presidente da Região Sul, comenta essa perda de oportunidades abordando outros pontos, como a obesidade. De acordo com ela, vive-se uma epidemia e evitar um crescimento ainda maior no número de mulheres obesas, por exemplo, também é uma responsabilidade desempenhada pelos ginecologistas-obstetras.

“Temos uma carência em acessar essa menina mais jovem, que já deixou de ir ao pediatra, mas ainda não frequenta um ginecologista porque não tem, tecnicamente, um problema de saúde, entretanto ela pode já estar obesa”.

A relevância dos ginecologistas foi ressaltada pelo doutor Juvenal Barreto Borriello de Andrade, diretor da Defesa Profissional da FEBRASGO. Segundo ele, os tocoginecologistas são uma espécie de porta de entrada da mulher para uma assistência básica de saúde.

“O problema pode não ser especificadamente ginecológico, mas elas marcam uma consulta, assim o médico encaminha para outro especialista. É isso que observamos no cotidiano”, pondera.

As entrevistas aconteceram em 129 municípios abrangendo todas as regiões do País, representando cerca de 80.980 milhões de mulheres. A pesquisa foi feita entre 5 e 12 de novembro de 2018, tendo margem de erro de três pontos percentuais. Foram ouvidas mulheres de 16 anos ou mais, pertencentes a todas as classes econômicas.

A população feminina tem a maior concentração na faixa etária de 35 anos para cima, reflexo do recorrente envelhecimento dos brasileiros. A pesquisa revelou que cerca de metade das entrevistadas são casadas ou possuem um(a) companheiro(a), ou seja, aproximadamente sete em cada dez têm filhos, resultando em uma média de 2,7 filhos.

O doutor Marcos Felipe aponta que a redução das taxas de natalidade é bastante evidente nos consultórios “Tem cada vez menos gestantes nas consultas. Estão aumentando o número de pacientes após a menopausa e também as adolescentes procurando orientações para métodos contraceptivos e prevenção a doenças”. Entretanto, ele fez um alerta: “O Brasil ainda é um dos campeões mundiais de gravidez na adolescência. De cada cinco partos, um é de adolescente”.

 

Outros fatores abrangidos pela pesquisa foram o grau de escolaridade e a condição econômica das brasileiras. Foto: divulgação / Febrasgo

 

O grau de escolaridade e a condição econômica dizem muito sobre os hábitos das brasileiras. Segundo o estudo, o costume de frequentar um ginecologista é mais comum entre as moradoras de regiões metropolitanas e da região Sudeste. Por outro lado, as mulheres que nunca foram a esse especialista encontram-se concentradas nas cidades do interior. Outro ponto relevante é em relação ao acesso a serviços de saúde. Os atendimentos, particular e o via plano de saúde, são mais comuns conforme aumenta o grau de escolaridade e a classificação econômica.

A relação médico-paciente também foi abordada na pesquisa e espelha as questões relacionadas ao âmbito econômico e educacional. A segurança em ter um próprio médico ginecologista em uma situação de parto é maior entre as mulheres com escolaridade e classificação econômica mais elevada.

Aproximadamente nove de cada dez mulheres declaram-se satisfeitas com o atendimento recebido pelo atual ginecologista-obstetra. O presidente César Eduardo Fernandes faz um desabafo sobre a atual imagem dos médicos da área aos olhos da sociedade:

“É uma especialidade um pouco demonizada no presente momento por conta dos obstáculos na assistência ao parto. Todas as dificuldades presentes na hora de parir são jogadas no colo do ginecologista como se ele fosse o responsável pelas dificuldades e mazelas do sistema. Nossas pacientes, felizmente, deixaram bem claro na pesquisa que não é bem isso. Ao contrário, as mulheres estão bastante satisfeitas com a qualidade e compromisso dos tocoginecologistas na assistência”.

Vice-presidente da região Norte, a dra. Hilka Espírito Santo enfatiza a importância de estudos como esse para alertar especialistas da área e impulsioná-los a mudar a realidade. “Somos os primeiros médicos dessas meninas. Elas passam do pediatra para o ginecologista. A pesquisa vem ao encontro a isso e é relevante para que notemos o privilégio de ser esse profissional”, finaliza.

 

Ginecologistas se sentiram recompensados com a boa aceitação da sua especialidade pelas mulheres, após pesquisa encomendada pela Febrasgo. Foto: divulgação / Febrasgo

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