Quando a mulher perde o desejo


Sábado, 2 de dezembro de 2017 às 20h31


O Cresex (Centro de Referência e Especialização em Sexologia), do Hospital Pérola Byington, em São Paulo, revela que mais de 48% das mulheres atendidas ali se queixam de falta ou diminuição do desejo sexual. Esse problema pode ter origem orgânica, mas a maioria dos casos é mesmo emocional e pode ser resolvido.

“Entre os fatores físicos da falta de desejo podemos citar os períodos fisiológicos da gestação, puerpério e amamentação. Após o parto, a mulher leva ao menos 40 dias para voltar à rotina sexual, necessitando readaptar o corpo às modificações sofridas durante à gestação e ao parto. A prolactina, hormônio da amamentação, inibe o desejo e afeta a lubrificação feminina. Outra época mais complicada é o período da menopausa, cujas alterações hormonais determinam interferências na resposta sexual natural, desde o desejo sexual (que pode ser reduzido), até a própria lubrificação, sensibilidade do clitoris e intensidade do orgasmo”, explica a ginecologista e obstetra Flávia Fairbanks, membro da SOGESP (Associação de Ginecologia e Obstetrícia de São Paulo) e coordenadora da Ginecologia do ProSex do HCFMUSP.

 

Vários fatos podem influenciar na perda da libido feminina. Foto: divulgação / SOGESP

 

Ela cita ainda doenças que podem interferir no desejo.

“Diabetes, hipertensão e hipotireoidismo podem reduzir a libido, assim como os maus hábitos, sedentarismo, alcoolismo, uso de drogas e medicamentos psiquiátricos como antidepressivos e ansiolíticos. Todos dificultam a libido.”

A perda ou redução do desejo sexual também pode ser psicológica e estar ligada a problemas como cansaço, estresse, depressão, baixa autoestima e insatisfação com o corpo.

“São questões que tiram o foco da mulher em relação ao desejo sexual e diminuem a libido. No relacionamento, a infidelidade, brigas e discussões com o parceiro e outros problemas também afetam negativamente a sexualidade.”

O tratamento depende da causa e cada paciente precisa ser diagnosticada individualmente: “O médico deve tratar as questões médicas gerais e ginecológicas, além de resolver os fatores clínicos e fisiológicos, mas é preciso inserir a terapia sexual. Aliás, o tratamento adequado requer, muitas vezes, uma equipe multidisciplinar com participação do ginecologista, psiquiatra, fisioterapeuta e psicólogo”, informa Flávia.

Vale ressaltar que, se os fatores são hormonais, as terapias de reposição poderão trazer benefícios. Quando emocionais ou psicológicos, o acompanhamento com psicólogos e terapeutas darão o suporte. “No caso de mulheres casadas ou que possuam um parceiro fixo, é importante o diálogo e a sinceridade”, adverte. “Muitos relacionamentos se fortalecem quando ambos os membros se envolvem no tratamento”.

Se a mulher não está satisfeita com a aparência de sua região íntima, a plástica genital poderá ajudar quando a estética afeta o psicológico.

“Algumas queixas como vagina larga e crescimento excessivo dos pequenos lábios podem ser melhoradas com a cirurgia plástica genital, mas sempre temos uma conjunção de fatores envolvidos nas questões sexuais”, garante Flávia.

A perda do desejo pode causar sofrimento à mulher e ainda interferir na relação entre os parceiros. “Relacionamentos podem ruir pela indisponibilidade da parceira para o ato sexual, afetando a autoestima das mulheres e dos parceiros que se sentirão indesejados. Perder a qualidade de vida sexual pode afetar muito o dia a dia das mulheres, sejam casadas ou não. Manter-se sexualmente bem controla o estresse e pode fortalecer a autoimagem das mulheres em geral”, conclui.

Lição de casa: Orientar é importante, mas não diga a resposta. Foto ilustrativa: Ignacio Leonardi / Getty Images

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