Investigado viajou para a Espanha onde mora e risco de fuga é amplamente possível.


O advogado Jeffrey Chiquini enviou requerimento ao relator das investigações sobre o escândalo do INSS, ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O caso tramita na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso Nacional, envolvendo conjuntamente a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, a fim de apurar as fraudes contra os aposentados.

Um dos principais envolvidos é Antônio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como “Careca do INSS”, lobista que ganhou notoriedade por ser o epicentro e intermediário do esquema bilionário de desvio das aposentadorias e pensões de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Em nome da ‘democracia’

Chiquini atua na defesa de Filipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro, durante seu mandato como presidente da República. Desde o dia 27 de dezembro cumprindo prisão domiciliar, Martins foi preso no dia 2 de janeiro no Paraná por ordem do ministro Alexandre de Moraes por utilizar as redes sociais. Ele é acusado de tentativa de golpe no âmbito do julgamento dos ataques de 8 de janeiro de 2023 em Brasília.

Esses ataques foram originados justamente pela eleição do atual presidente da República, Luiz Inácio da Silva, o Lula, pai de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Os fatos comprovam a insatisfação popular da época, que repercute até agora em várias prisões de supostos envolvidos em nome da democracia, segundo avaliação do atual governo e de Moraes.

 

Jeffrey Chiquini, advogado de Filipe Martins, durante o julgamento da ação penal nº 2.693 (núcleo 2) na Suprema Corte sobre o 8 de janeiro. Foto: Gustavo Moreno / STF

 

Prisão preventiva

Em seu requerimento, Chiquini sustenta a existência de indícios envolvendo Lulinha no esquema de fraudes no INSS e assegura que as investigações da Polícia Federal são amplamente conhecidas e Lulinha teria sido citado por testemunhas com envolvimento direto. Alegando risco de fuga, o requerimento aponta que o filho do atual presidente da República teria deixado o país em meio à investigação da PF e poderia voltar ao seu domicílio na Espanha, onde reside.

A PF investiga se Lulinha era um sócio oculto do “Careca do INSS” por meio da empresária Roberta Luchsinger — ela foi alvo de buscas e apreensão na última fase da operação Sem Desconto. Um ex-auxiliar do “Careca do INSS” afirmou em depoimento que Lulinha recebeu R$ 25 milhões e uma mesada de cerca de R$ 300 mil do lobista. De acordo com a Revista Oeste, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, confirmou a existência de apurações.

Solicitando “máxima urgência”, Chiquini alega “elevada gravidade e complexidade”, que o investigado possui condições financeiras e vínculos no exterior, o que facilitaria uma eventual fuga e comprometeria a persecução penal. O pedido de prisão preventiva ainda traz argumentos para garantir a ordem pública e cita a possibilidade de testemunhas serem coagidas devido à “influência política” do investigado.


Destaque – Jeffrey Chiquini, advogado de Filipe Martins, durante o julgamento da ação penal nº 2.693 (núcleo 2) na Suprema Corte sobre o 8 de janeiro. Foto: Gustavo Moreno / STF

 


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