Admilson Reis — Superintendente de Responsabilidade e Gestão de Riscos do Hospital Moinhos de Vento (Porto Alegre – RS).


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada dez pessoas hospitalizadas no mundo sofrem algum tipo de dano evitável durante o cuidado, e até três milhões de mortes anuais são atribuídas a falhas assistenciais — muitas delas previsíveis.


No Brasil, esse cenário representa um desafio ainda maior considerando a dimensão do Sistema Único de Saúde e a complexidade de implementar protocolos de segurança em milhares de instituições espalhadas pelo país. A resposta a essa urgência veio através do Projeto Paciente Seguro, uma iniciativa que demonstra como a cooperação nacional pode transformar radicalmente os indicadores de segurança hospitalar.

Através do PROADI-SUS, obtivemos resultados transformadores nos 96 hospitais públicos que participaram diretamente do Projeto Paciente Seguro. Entre 2016 e 2023, capacitamos mais de 18 mil profissionais presencialmente e por ensino a distância, com 164 ações educativas realizadas dentro dos hospitais. Ao final do triênio 2018-2020, conseguimos que a adesão à prática de higiene das mãos aumentasse em 42%, reduzimos o percentual de lesões por pressão em hospitais pediátricos em 13% e diminuímos o percentual de quedas em 55%. O impacto econômico é igualmente significativo: no caso das quedas, por exemplo, os números apontam para mais de 7 mil ocorrências em um ano, com consequências financeiras de aproximadamente R$ 400 mil anuais por hospital e mais de R$ 10 milhões para o SUS – custos drasticamente reduzidos com a implementação dos protocolos de segurança.

Essa trajetória de excelência é reconhecida internacionalmente pela acreditação da Joint Commission International (JCI), que avalia mais de 1.300 padrões globais de qualidade e segurança. Esses resultados reforçam o compromisso do Hospital Moinhos de Vento em oferecer um cuidado cada vez mais seguro, inovador e centrado no paciente, servindo de inspiração para iniciativas adotadas por outras instituições e pelo próprio Ministério da Saúde.

A abordagem científica e a produção de conteúdo inovador marcam a diferença desta iniciativa. Desenvolvemos materiais inéditos como cursos online, jogos educativos, cartilhas e o portal Caminhos da Segurança, democratizando o conhecimento para todo o SUS. Além da implementação de protocolos básicos como identificação correta do paciente, prevenção de quedas, higiene das mãos e uso seguro de medicamentos, realizamos diagnósticos situacionais detalhados, permitindo medir a evolução e maturidade institucional em segurança do paciente – ferramenta essencial para orientar políticas públicas de saúde.

O reconhecimento internacional consolida o Brasil como referência mundial em educação e práticas de segurança do paciente. Pioneirismo que será reconhecido na próxima edição do ICERI 2025 (International Conference on Education, Research and Innovation), em Sevilha, na Espanha, onde o projeto será apresentado. A participação nesta – que é uma das principais plataformas globais dedicadas a discutir pesquisas e inovações educacionais com foco em novas tecnologias e abordagens – demonstra como iniciativas brasileiras podem inspirar mudanças significativas na área da saúde mundial. A proposta, que iniciou em novembro de 2016 e por sete anos atuou em hospitais públicos, serve de modelo para iniciativas adotadas por outras instituições e pelo próprio Ministério da Saúde.

A missão de zero dano evitável deixou de ser um sonho para se tornar realidade mensurável. Com liderança, cooperação e compromisso coletivo, provamos que é possível transformar o cuidado em saúde no Brasil, salvando vidas, reduzindo custos e elevando os padrões de qualidade assistencial. Cada queda evitada, cada cirurgia mais segura e cada dose de medicamento administrada corretamente representa não apenas vidas preservadas, mas também recursos públicos otimizados e um sistema de saúde mais eficiente para todos os brasileiros.


Destaque – Foto: Hospital Moinhos de Vento


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