Varizes nas pernas: causas e riscos


Quinta-feira | 14 de fevereiro, 2019 | 20h54


Varizes são veias dilatadas e deformadas. Têm coloração púrpuro-azulada e se manifestam ao longo das pernas. Sua ocorrência é mais comum naqueles que ficam em pé por períodos prolongados.

Podem se manifestar em quadros leves, sem causar incômodo. Ou evoluir para estágios avançados, provocando dores e inchaços.

Calcula-se que cerca de 70 a 80% dos episódios estão associados a fatores genéticos. Entretanto, podem ser agravados por situações de sedentarismo ou obesidade.

Foto: divulgação / APM

Somos todos irrigados por artérias – que distribuem o sangue para o corpo – e veias, responsáveis por retorná-lo ao coração. No caso das pernas, as veias possuem válvulas para impedir o sangue de retornar aos pés pela ação da gravidade. Se não funcionam adequadamente, ocorre sobrecarga, dando origens às varizes.

De acordo com o dr. Marcelo Rodrigo de Souza Moraes, presidente do Departamento Científico de Angiologia e Cirurgia Vascular Periférica da APM, esta é uma das patologias mais comuns do mundo. Ele revela que há estudos apontando que, mundialmente, até um terço das mulheres e um quinto dos homens têm ou terão algum grau de doença venosa ao longo da vida.

O diagnóstico, em muitos casos, é feito pela própria pessoa, e a complexidade dos quadros está relacionada aos sintomas.

“Quando há apenas vazinhos, provavelmente não vão gerar comprometimento circulatório muito sério no curto prazo. Eventualmente, quando se tem veias dilatadas mais altas, presença de dor, coceira, inchaço ou cansaço nas pernas, isso pode acarretar efeitos circulatórios mais graves, como um edema”, afirma o especialista.

Segundo ele, qualquer sinal deve causar estado de alerta: “É um erro acreditar que varizes, mesmo na sua forma mais sútil, como os vazinhos, são questões apenas estéticas. A doença venosa evolui. Em seu estágio inicial, pode apresentar uma queixa predominantemente estética, mas não nos deixemos enganar; esse é apenas o comecinho do quadro”.

Vale relembrar que, além de fatores genéticos, estão susceptíveis à doença pessoas que passam muitas horas seguidas de pé ou sentadas, pois a falta de exercício compromete a circulação. Para tal grupo, é indicada movimentação a cada 30 minutos.

Dr. Marcelo destaca ainda a importância de praticar atividades com foco na panturrilha, parte do corpo fundamental para o retorno do sangue ao coração.

Foto: divulgação / APM

A incidência das varizes aumenta com a idade e há maior prevalência no gênero feminino. Mulheres na gravidez também correm mais risco e devido a circunstâncias hormonais, não é incomum as veias voltarem ao normal.

Em termos de tratamento, existem as opções conservadora/clínica e a invasiva/procedimento cirúrgico. Segundo Marcelo, a primeira é a recomendada de forma geral e para todos os casos.

“Não conseguimos alterar a genética, mas é possível mudar hábitos. Se um paciente está acima do peso, iremos orientá-lo a emagrecer. Para sedentários, recomentamos a prática de atividades físicas. Também indicamos o uso de meias compressivas, que ajudam na circulação”.

A cirurgia não é aconselhável em todos os casos e tampouco é definitiva. Isso se dá porque, ao longo do tempo, outras veias podem se dilatar, algo extremamente comum. Porém, quando a doença já está instalada, indicação precisa realizada por um médico especialista ajuda a melhorar a qualidade de vida e prevenir a piora do quadro.

Para os que já sofrem com o problema, algumas medidas gerais e sem contra indicações contribuem para melhora geral: hidratação do corpo, exercícios moderados diariamente e perda de peso são ótimos para a circulação e para a saúde como um todo. Em qualquer quadro a consulta a um especialista é imprescindível. Se a doença é tratada de forma adequada desde o seu início é muito provável que mesmo com uma genética desfavorável, a doença seja bem controlada ao longo da vida.

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