Paulo Serra — Especialista em Gestão Governamental e em Políticas Públicas, pela Escola Paulista de Direito; e em Financiamento de Infraestrutura, Regulação e Gestão de Parcerias Público-Privadas (PPPs), pela Universidade de Harvard (Estados Unidos).


Um dos grandes desafios do Brasil é conseguir alinhar esforços entre as diferentes esferas de governo – municipal, estadual e federal – em torno de objetivos comuns. Muitas vezes, o que se vê são disputas políticas e partidárias que, em vez de resolver problemas, paralisam o País. É como se a polarização tivesse, de uns tempos para cá, tomado conta do debate, deixando em segundo plano aquilo que realmente importa: resultados concretos para a população.


Porém, quando se consegue deixar de lado as diferenças ideológicas e colocar a gestão à frente da política de confronto, os frutos aparecem. A boa governança, afinal, não depende apenas de boas intenções, mas, sim, da capacidade de integrar e de somar forças. Essa coordenação é o que transforma ações pontuais em medidas efetivas, capazes de gerar impacto real e duradouro.

Um exemplo claro disso aconteceu há poucos dias, com uma mega operação contra a lavagem de dinheiro do crime organizado. O trabalho nasceu de investigações conduzidas pelo Ministério Público (MP) de São Paulo, mas não parou por aí. O expediente foi ampliado e fortalecido, graças à integração com a Receita Federal e a Polícia Federal (PF). Essa união de esforços permitiu que a ação ultrapassasse as fronteiras de São Paulo, atingisse outros estados e desarticulasse uma rede criminosa de alcances nacional e internacional.

Vale destacar que a operação não foi fruto de improviso. Muito pelo contrário: dependeu de planejamento e de integração institucional. O MP entrou com a expertise investigativa, enquanto a Receita Federal contribuiu com Inteligência Tributária e Financeira, seguindo e monitorando o “caminho do dinheiro ilícito”. Já a PF garantiu a execução, com direito à busca, apreensão e mandado de prisão, em vários pontos do Brasil. Em suma: cada instituição cumpriu seu papel, e todas atuaram em sinergia.

Essa soma de competências produziu um resultado que dificilmente seria alcançado se cada uma tivesse agido isoladamente: foram centenas as operações simultâneas em vários municípios, com mais de 1,4 mil agentes de Segurança e de Inteligência nas ruas. Em suma: um ataque pesado ao financiamento e à lavagem de dinheiro, o “branqueamento de capital”.

Esse exemplo oferece lição importante: quando o foco está no bem comum, o Brasil funciona, e funciona melhor! Assim, pouco importa quem foi o “pai” da operação: se foi governador, secretários, ministros, ou o presidente da República. Para o cidadão comum, que muitas vezes se sente preterido em meio a disputas políticas, o importante é o resultado.

Por isso, é preciso insistir na ideia de “mais gestão, menos polarização”. Não se trata de negar as diferenças políticas ou ideológicas, que são parte da Democracia, mas de compreender que, diante de incômodos reais, como a atuação de facções criminosas, a violência, a falta de infraestrutura e as desigualdades sociais (só para citar algumas), não há espaço para disputas estéreis. A população cobra soluções, e não discursos.

Se quisermos um País mais forte, justo e seguro, precisamos continuar a trilhar por esta avenida. E isso só será possível quando a Política deixar de ser palco de polarização e voltar a ser instrumento de gestão eficiente.


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