Arnaldo Jardim — Deputado federal (Cidadania-SP) pelo quinto mandato; membro das Comissões de Transição Energética e Produção de Hidrogênio Verde, e de Minas e Energia; graduado em Engenharia Civil, pela USP; foi secretário de Estado da Agricultura do Governo de São Paulo e presidente do Conseagri.



Marco Vinholi — Diretor-técnico do Sebrae no estado de São Paulo; membro do Conselho de Inovação da USP e do Conselho Regional do SESI; mestre em Gestão Pública, pela FGV; especialista em Comunicação, pela Harvard University (EUA); foi deputado estadual e secretário de Estado de Desenvolvimento Regional do Governo de São Paulo.


O Prêmio Nobel de Economia de 2025 reconheceu três estudiosos que reafirmam o fundamental: a inovação é o principal motor do crescimento econômico. Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt mostraram que o avanço tecnológico é o que transforma a produtividade, as empresas e o bem-estar das sociedades. Mais que uma honraria acadêmica, o Nobel deste ano é um recado ao mundo: no século 21, inovar é o novo verbo do desenvolvimento.


Vivemos uma mudança de paradigma. A inteligência Artificial (IA), a Biotecnologia e a digitalização redesenham indústrias, profissões e governos. Não basta acumular capital e trabalho; é preciso reinventar a forma de produzir, de pensar e de competir. A inovação é o elo entre conhecimento e prosperidade.

Joel Mokyr lembra que a inovação não nasce do nada. Ela depende de sociedades abertas, que valorizam o saber, toleram o erro e premiam a curiosidade. Países que sufocam a criatividade, desvalorizam a Ciência ou punem o risco jamais serão inovadores. Afinal, o progresso técnico é tanto cultural quanto econômico e exige instituições que incentivem a liberdade de pensar e de criar.

A história recente comprova isso. A Coreia do Sul apostou na Educação Técnica e Científica e criou uma geração de engenheiros e de empreendedores que transformaram uma nação agrícola em potência tecnológica global. A Índia, com sua massa de engenheiros e de programadores, consolidou-se como polo mundial de Tecnologia e de Startups.

Já os países escandinavos construíram ecossistemas de inovação baseados em confiança social, colaboração e Sustentabilidade. Trata-se de um modelo em que governo, empresas e Academia atuam de forma integrada, na lógica da hélice tripla em que o conhecimento universitário, a política pública e o investimento privado se retroalimentam.

O Brasil, por sua vez, tem oportunidades únicas. Somos potência bioenergética e ambiental, com vastos recursos naturais, matriz elétrica limpa e o maior patrimônio de biodiversidade do planeta. Iniciativas como o RenovaBio, os programas do Sebrae de transição verde para as micro e pequenas empresas, o avanço do etanol de segunda geração e os Projetos de Hidrogênio Verde mostram que há caminhos promissores.

Contudo, falta um movimento estratégico e coordenado que conecte Ciência, Mercado e Sustentabilidade, transformando as vantagens naturais do País em benefícios tecnológicos. Inovação, afinal, não é acaso — é estratégia nacional.

E, temos de admitir: ainda somos uma Economia excessivamente dependente de setores tradicionais, que pouco convertem Ciência em produto e Tecnologia em valor. Por aqui, faltam incentivos, também, à segurança regulatória e à experimentação do risco.

O Nobel de 2025 deveria servir como espelho: governos que investem em inovação crescem; os que hesitam, estagnam. Governar, neste novo tempo, é também criar condições para o novo. É apoiar startups, modernizar serviços e aproximar universidades e empresas.

O futuro não será construído por quem tem mais recursos, mas por quem tem mais ideias. Inovar, hoje, é mais do que competir: é sobreviver, inspirar e transformar.


Leia outras matérias desta editoria

Mandato de 12 anos para ministros do STF

A OAB de São Paulo, o Instituto dos Advogados de São Paulo e a Associação dos Advogados — três entidades representativas da advocacia paulista — têm apontado que a perda de credibilidade do Supremo Tribunal Federal decorre do fato de a Corte ter deixado de...

Nove minutos em Copacabana e a conta que nenhum candidato apresenta

Quatro homens executaram uma sentença de morte na calçada por suspeita de furto de bicicleta, e nenhum deles era policial. Enquanto os presidenciáveis prometem prisão perpétua e importam o rigor de outros países, ninguém explica quem paga a conta nem por...

Redes sociais explicam, em números, o poder do Caso Master em impulsionar crises políticas

Há algumas semanas, abordei em um levantamento o período de mais de um mês que torcida do Corinthians levou para produzir cerca de 43 mil menções à hashtag #FicaMemphis, nas redes sociais, e forçar o clube a reabrir uma negociação que já era tratada como...

Split payment deve ficar para 2028, mas o impacto no caixa começa agora

A previsão de que o split payment se torne obrigatório apenas em 2028 foi recebida por parte do mercado como um alívio. Eu faço uma leitura diferente: as empresas ganharam mais tempo para se preparar, mas isso não significa que possam adiar a preparação. A...

Brasil medieval

Esta não é uma história de ficção; é baseada em fatos reais. A temida Inquisição (séc. XII e XIII) da Idade Média queimava pessoas vivas. Quando não havia provas para condená-las, alegava-se bruxaria ou curandeirismo. A partir do séc. XV, já na Idade...

Corrupção: a conta que o Brasil não pode mais pagar

É impressionante como temos, constantemente, nos governos dos partidos de esquerda — que dirigem o país há cerca de 17 anos e meio —, escândalos que contribuem para nos colocar entre os países mais corruptos do mundo, conforme dados da Transparência...

Lula e Flávio faltam a debate na Band; Zema cancela participação em cima da hora

Se a questão era evitar os desgastes em confronto com questões sensíveis, o não comparecimento deixa em aberto uma lacuna de credibilidade. Antes de quaisquer análises, a ausência de três presidenciáveis comprova o distanciamento que ainda existe entre as...