Maria Malerba — Pedagoga e educadora.


Em tempos de COP 30, educadores defendem uma abordagem mais consciente e prática para fortalecer o compromisso com o planeta, avalia pedagoga.


Em meio às expectativas para a COP 30, conferência da ONU sobre mudanças climáticas que será sediada no Brasil de 10 a 21 de novembro, cresce o debate sobre como conectar as discussões globais às realidades locais.

A pauta ambiental, que reúne líderes mundiais em busca de soluções para frear o aquecimento do planeta, também chega às salas de aula como oportunidade de aprendizado e transformação.

A pedagoga Maria Malerba defende que a escola é um dos principais espaços para despertar o interesse das crianças sobre temas ambientais. “O contato com a natureza, a observação das estações do ano e a compreensão de fenômenos climáticos contribuem para que os alunos se sintam integrados ao ambiente, o que os leva além ao entender a importância da preservação do nosso planeta.”

A educadora avalia que os professores têm papel essencial nesse processo, ao propor atividades que estimulem a reflexão crítica, o consumo consciente e o protagonismo dos alunos na construção de um futuro mais sustentável.

Segundo Malerba, simples hábitos, como aulas e brincadeiras em meio aos espaços naturais, cultivo de uma pequena horta, evitando sempre o desperdício de água e ações como separar o lixo reciclável e a conscientização contra o desperdício, podem fazer a diferença.

Ferramentas pedagógicas auxiliam em sala de aula

No contexto das mudanças climáticas, o equilíbrio ambiental e o descarte correto do lixo também podem ser assuntos para serem usados em projetos pedagógicos. “Com as crianças maiores, de ensino fundamental, por exemplo, criar um levantamento do bairro e da cidade sobre enchentes, queimadas, consumo de água e qual a responsabilidade de cada um nisso tudo pode ser uma alternativa”, diz.

Com relação à educação infantil, Malerba propõe aulas em meio à natureza. Contextos investigativos da terra no jardim da escola ou as folhas que caem podem ser excelentes opções, segundo a pedagoga. “A utilização de materiais naturais como galhos, flores e tintas extraídas de sementes e frutos são ferramentas simples, mas muito potentes para não permitir o distanciamento da criança com a natureza, o que naturalmente cultiva nela o sentimento de pertencimento e cuidado, suficientes nessa idade para um futuro mais consciente.”

A pedagoga explica que disciplinas como Matemática, Ciências e Língua Portuguesa, por exemplo, podem tirar proveito da temática e serem usadas como ganchos na resolução de problemas envolvendo economia de energia e reciclagem. “Por meio de leituras de histórias ou explorando poesias e contos ou desenvolvendo atividades com gráficos sobre temperaturas médias e uma série de opções para serem usadas em salas de aula, o professor incentiva os alunos a escreverem seus próprios temas.”

Consumo, desperdício e infância

De acordo com a Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA), aumentou a quantidade de lixo produzida por habitante no país. Ao todo foram 81 milhões de toneladas em 2023, cerca de 382 kg descartados por habitante durante um ano no Brasil. A região Sudeste detém os maiores índices de geração e produção de resíduos por habitante.

“Quanto maior o poder de compra, mais as pessoas consomem e geram resíduos. Quando não tratado e descartado incorretamente, maior o prejuízo ambiental. Daí a necessidade de ensinar desde cedo sobre o valor do dinheiro e o desperdício para as crianças”, explica a pedagoga.

Ela ainda acrescenta que a relação entre educação e sustentabilidade também passa pelo conceito de que ecologia e economia devem caminhar juntas; ambas possuem a mesma raiz, oikos, que em grego significa “casa”, “lar”. Logos significa “conhecimento”, enquanto nomos significa “gestão”.

“Ensinar sobre consumo consciente também tem impacto econômico. Uma criança que aprende a reduzir, reutilizar e reciclar se torna um adulto mais preparado para escolhas sustentáveis, inclusive no mercado de trabalho e na gestão de recursos financeiros”, pontua.

Diante desse cenário, o papel das escolas é fundamental para integrar o aprendizado acadêmico com a vivência prática. A integração em meio à natureza, aliada à educação ambiental, quando trabalhada desde os primeiros anos, pode ser o principal caminho para um futuro mais equilibrado entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental.


Destaque – Imagem: aloart / G. I. / AI image


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