Rosana Valle — Deputada federal pelo PL-SP, em segundo mandato; presidente da Executiva Estadual do PL Mulher de São Paulo; jornalista por formação há mais de 25 anos; e autora dos livros “Rota do Sol 1 e 2”.


As cenas recentes e chocantes no Rio de Janeiro-RJ, com dezenas de mortos em confrontos com policiais, vias interditadas, escolas fechadas e famílias acuadas, não são episódio isolado. São o retrato de um País no qual, se o Estado recua, o crime ocupa espaço. Quando o poder público hesita e se omite, o poder paralelo impõe regras e a barbárie avança.


Poucos dias antes da operação deflagrada no Complexo do Alemão, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou, em Coletiva de Imprensa no exterior, que “traficantes são vítimas dos usuários de drogas”. Declarações desta natureza desmoralizam o Estado e relativizam o crime. Que fique claro: traficante não é vítima. Vítima é o Brasil, com um sem-número de famílias destruídas, jovens aliciados, população insegura e policiais tombando em serviço.

O Rio de Janeiro paga o preço de décadas de leniência e de covardia política. E o alerta vale para toda a nação. Na Baixada Santista, onde nasci e construí minha trajetória, policiais, Imprensa e agentes públicos circulavam livremente, há 30 anos, para desempenhar seus papéis. Hoje, há territórios onde o Estado encontra barreiras para entrar e o medo dita o ritmo.

Na minha última campanha eleitoral, em 2024, ao disputar a Prefeitura de Santos-SP, vivi isso de perto. Só subiram os morros e entraram nas comunidades os políticos que tinham permissão de quem domina essas áreas. E isso, para mim, é submissão ao poder paralelo.

De toda forma, o estado de São Paulo pode ser considerado uma exceção, mesmo com a criminalidade se espraiando e desafiando a sociedade, as autoridades e as Forças de Segurança todos os dias. Sob a liderança do governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) e com o comando firme do secretário de Estado da Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP), homicídios, latrocínios e roubos alcançaram os menores patamares em solo bandeirante, nos últimos 25 anos. Segurança se faz com inteligência, integração e resultado.

Como parlamentar em segundo mandato, sei que Segurança Pública é algo inacabado: sempre há o que fazer e melhorar. Por isso, não fico apenas no discurso. Apresentei, no Congresso Nacional, o Projeto de Lei (PL) 1.170/2024, que altera o artigo 112 da Lei de Execução Penal, a fim de tornar mais rigorosa a progressão de regime aos presos por crimes hediondos. A lógica é simples: quem comete delito dessa gravidade deve cumprir uma fração maior da pena em regime fechado. É uma resposta direta a um sistema que, hoje, facilita saídas precoces e alimenta a reincidência criminal. O projeto já tramita na Câmara dos Deputados, em Brasília-DF.

Afinal, o problema não é a falta de leis, mas as brechas e o não cumprimento efetivo das condenações, somados a distorções que esvaziam a punição. Endurecer a execução penal e fechar portas para abusos é parte essencial do caminho.

Também defendo investimentos maciços em Tecnologia, análise de dados e na integração das Forças de Segurança. Experiências recentes mostram que vigilância inteligente, investigação qualificada e presença coordenada do Estado salvam vidas e desarticulam quadrilhas com eficiência.

O crime não pode ser tratado com complacência, muito menos com retórica ideológica, e pior ainda quando se trata de facções organizadas, armadas e com indiscutível poder financeiro e territorial.

É urgente, portanto, que o Brasil aprove a lei que enquadra o crime organizado como terrorismo. Não se trata apenas de uma questão jurídica, mas, sim, de soberania nacional. Aliás, o atual presidente da República, que tanto fala em soberania, está perdendo territórios dentro do próprio País para o crime organizado – e isso é inaceitável!


Destaque – A megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, resultou na apreensão de 120 armas, sendo 93 fuzis, além de explosivos, munições, drogas e equipamentos militares utilizados pelo Comando Vermelho. Foto: Carlos Magno / Governo do RJ


Leia outras matérias desta editoria

Mandato de 12 anos para ministros do STF

A OAB de São Paulo, o Instituto dos Advogados de São Paulo e a Associação dos Advogados — três entidades representativas da advocacia paulista — têm apontado que a perda de credibilidade do Supremo Tribunal Federal decorre do fato de a Corte ter deixado de...

Nove minutos em Copacabana e a conta que nenhum candidato apresenta

Quatro homens executaram uma sentença de morte na calçada por suspeita de furto de bicicleta, e nenhum deles era policial. Enquanto os presidenciáveis prometem prisão perpétua e importam o rigor de outros países, ninguém explica quem paga a conta nem por...

Redes sociais explicam, em números, o poder do Caso Master em impulsionar crises políticas

Há algumas semanas, abordei em um levantamento o período de mais de um mês que torcida do Corinthians levou para produzir cerca de 43 mil menções à hashtag #FicaMemphis, nas redes sociais, e forçar o clube a reabrir uma negociação que já era tratada como...

Split payment deve ficar para 2028, mas o impacto no caixa começa agora

A previsão de que o split payment se torne obrigatório apenas em 2028 foi recebida por parte do mercado como um alívio. Eu faço uma leitura diferente: as empresas ganharam mais tempo para se preparar, mas isso não significa que possam adiar a preparação. A...

Brasil medieval

Esta não é uma história de ficção; é baseada em fatos reais. A temida Inquisição (séc. XII e XIII) da Idade Média queimava pessoas vivas. Quando não havia provas para condená-las, alegava-se bruxaria ou curandeirismo. A partir do séc. XV, já na Idade...

Corrupção: a conta que o Brasil não pode mais pagar

É impressionante como temos, constantemente, nos governos dos partidos de esquerda — que dirigem o país há cerca de 17 anos e meio —, escândalos que contribuem para nos colocar entre os países mais corruptos do mundo, conforme dados da Transparência...

Lula e Flávio faltam a debate na Band; Zema cancela participação em cima da hora

Se a questão era evitar os desgastes em confronto com questões sensíveis, o não comparecimento deixa em aberto uma lacuna de credibilidade. Antes de quaisquer análises, a ausência de três presidenciáveis comprova o distanciamento que ainda existe entre as...