A crise política desencadeada pelas fraudes do Banco Master continua a se expandir e, neste novo capítulo, passa a envolver investimentos distribuídos por corretoras ligadas a grandes instituições financeiras, com reflexos também sobre a economia.


O Instituto Associação Brasileira de Defesa do Consumidor e Trabalhador (Abradecont) ingressou com uma Ação Civil Pública na 6ª Vara Empresarial da Comarca do Rio de Janeiro contra XP Investimentos, BTG Pactual e Nubank. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) está analisando a ação.

Segundo nota divulgada nesta terça-feira (27) pelo Abradecont, a ação questiona a comercialização de CDBs emitidos pelo Banco Master, apresentados aos investidores como aplicações de baixo risco e supostamente amparadas pela garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). De acordo com a entidade, os produtos teriam causado prejuízos a milhares de consumidores.

“Nossa ação aponta falhas graves no dever de informação sobre os reais riscos do banco emissor e uma clara falha no dever de curadoria por parte dessas plataformas. A publicidade abusiva criou uma falsa sensação de segurança, induzindo investidores — muitos deles hipervulneráveis — a perdas significativas”, afirmou o instituto em nota.

Liquidação e repercussões

O colapso e a liquidação do Banco Master resultaram no acionamento de aproximadamente R$ 40,6 bilhões em garantias do FGC. O caso repercute política e economicamente e está sendo investigado pela Polícia Federal. O ministro Dias Toffoli, contra quem pesam supostos envolvimentos e pedidos de impeachment, embora não haja notícia de benefícios diretos contra ele, que é o relator do inquérito no STF.

Em outra manifestação, o Abradecont declarou que atua para assegurar a proteção dos direitos dos consumidores e defendeu maior transparência e responsabilidade por parte do mercado financeiro.

Dados divulgados indicam que a XP liderou a distribuição dos CDBs do Banco Master, com cerca de R$ 26 bilhões, seguida pelo BTG Pactual, com R$ 6,7 bilhões, e pelo Nubank, com R$ 2,9 bilhões. Juntas, as três instituições somam R$ 35,6 bilhões dos R$ 40,6 bilhões acionados junto ao FGC. A estimativa é de que mais de 800 mil pessoas físicas e jurídicas tenham sido impactadas pela liquidação do banco.

Em nota publicada em 23 de janeiro, o FGC informou que estavam sendo processados cerca de 2,8 mil pedidos por hora por meio do aplicativo. Até aquela data, o fundo havia efetuado pagamentos a 521 mil credores, o equivalente a 67,29% do total, somando R$ 26 bilhões em garantias relacionadas ao conglomerado Master. O valor corresponde a 66,43% do montante total a ser ressarcido.


Destaque – Imagem: aloart / G. I.


Leia outras matérias desta editoria

Confiança do consumidor cai pela quarta vez seguida e atinge menor nível desde 2022

O resultado foi influenciado principalmente pela piora nas expectativas sobre o futuro. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) do FGV IBRE apresentou retração de 3,6 pontos em agosto, caindo para 84,7 pontos, o menor nível registrado desde novembro de...

Alta nos custos e escassez de mão de obra travam a evolução da confiança na Construção

O recuo do ICST em agosto reflete principalmente a piora das expectativas para os próximos meses. O Índice de Confiança da Construção (ICST) do FGV IBRE apresentou queda de 0,6 ponto em agosto, atingindo 91,9 pontos. Sob a métrica de médias móveis...

Confiança da indústria cai 3,5 pontos em agosto e registra a maior queda do ano

Índice recuou pelo segundo mês consecutivo, revertendo a trajetória positiva do primeiro semestre. O Índice de Confiança da Indústria (ICI) do FGV IBRE apresentou queda de 3,5 pontos em agosto, caindo para 93,7 pontos. Na medição por médias móveis...

Setor de serviços reage em agosto e índice de confiança sobe para 89 pontos

Após queda em julho, confiança avançou impulsionada pelos dois horizontes temporais. O Índice de Confiança de Serviços (ICS) do FGV IBRE avançou 1,2 ponto em agosto, alcançando 89,0 pontos. Sob a ótica da média móvel trimestral, o indicador registrou...

Confiança do comércio cai em agosto e quebra sequência de altas

Piora nas expectativas para os próximos meses impulsiona queda do indicador. O Índice de Confiança do Comércio (ICOM) do FGV IBRE apresentou retração de 1,3 ponto em agosto, atingindo 84,2 pontos e interrompendo a sequência de duas baixas consecutivas. Na...

Indústria paulista: Fiesp adverte para queda no segundo semestre

Perda de fôlego econômico e retração nas vendas acendem alerta no setor produtivo paulista. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) aponta a entrada da economia brasileira em uma fase de desaceleração marcada por menor dinamismo e avanço...

FGV IBRE: Werlang analisa causas e saídas para a disfunção democrática no Brasil

Economista aponta ineficácia fiscal e avanço do crime como gargalos centrais e sugere regras contra a captura do Estado por interesses privados As dificuldades enfrentadas pela democracia brasileira no combate à criminalidade e ao desequilíbrio fiscal são...