Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (27) pela Neogrid & FGV IBRE. Segundo o levantamento, cinco das oito capitais registram queda no custo da cesta básica.


:: Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro registram os recuos mais expressivos;
:: Rio segue com a cesta mais cara do país, mas apresenta leve alívio mensal;
:: São Paulo mantém estabilidade após meses de oscilação;
:: Levantamento considera preços médios de 18 itens essenciais nas capitais monitoradas pela Neogrid & FGV IBRE.


Após a pressão inflacionária observada em setembro, os preços da cesta básica apresentaram um arrefecimento em outubro na maior parte das capitais analisadas, indicando um movimento de acomodação dos alimentos essenciais. Cinco das oito cidades monitoradas registraram queda no custo médio da cesta, comportamento que sugere um ajuste temporário dos preços após um mês marcado por alta generalizada.

O recuo mais expressivo ocorreu em Curitiba, onde a cesta passou de R$ 802,07 em setembro para R$ 788,22 em outubro, queda de 1,73%. Esse movimento interrompe parcialmente a trajetória de avanço observada no mês anterior. No acumulado de seis meses, a cidade apresenta leve retração de 0,80%, reforçando o quadro de oscilação moderada ao longo do período.

Belo Horizonte também apresentou retração relevante de 1,12%, com o custo da cesta recuando de R$ 705,02 para R$ 697,15 — preço semelhante ao registrado em junho, indicando uma devolução das pressões recentes. No comparativo semestral, a capital mineira acumula queda de 1,33%, sinalizando comportamento relativamente estável no período.

No Rio de Janeiro, apesar de continuar liderando o ranking de maior custo da cesta entre as capitais, houve uma redução de 1,14%, com o preço médio passando de R$ 993,64 para R$ 982,27. Esse alívio pontual ocorre depois da forte alta de setembro e contribui para moderar o acumulado semestral, que registra queda de 0,45%.

Em Salvador, o comportamento também foi de queda, com recuo de 0,92%, levando o custo da cesta de R$ 835,98 para R$ 828,33. No acumulado de seis meses, Salvador apresenta retração de 3,70%, uma das mais intensas entre as capitais analisadas.

Brasília apresentou leve diminuição de 0,57%, mantendo a tendência de acomodação dos últimos meses. No semestre, a capital acumula queda de 4,42%, a segunda maior redução no período, refletindo recuos sucessivos desde maio.

Na outra direção, Manaus foi a única capital a registrar alta significativa entre setembro e outubro, ainda que moderada, de 0,30%. Essa tendência mantém a pressão sobre o orçamento das famílias locais, que já vinham enfrentando oscilações ao longo do semestre. No acumulado de seis meses, Manaus é a capital com maior avanço, acumulando alta de 12,20%, muito acima das demais cidades monitoradas.

Em Fortaleza, o comportamento foi praticamente estável, com discreta variação positiva de 0,11%. No semestre, a capital registra leve queda de 1,2%, indicando um cenário de relativa estabilidade ao longo do período.

São Paulo registrou neutralidade, com o custo da cesta fixado em R$ 940,67, após meses de oscilação. No acumulado de seis meses, o comportamento é de queda de 5,17%, a mais significativa entre as oito capitais, refletindo reduções importantes nos meses anteriores.

Esse conjunto de movimentos evidencia que outubro trouxe uma trégua relevante ao consumidor, em especial nas capitais que haviam sido mais pressionadas no mês anterior, como Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Ainda assim, a persistência de altas em capitais específicas, como Manaus, sinaliza que parte dos fatores estruturais — principalmente nos itens industrializados e derivados de grãos — continua atuando sobre os preços, mesmo em um mês de maior estabilidade.

Itens da cesta básica

Itens que mais pressionam os preços da cesta básica no semestre

Dos 18 itens que compõem a cesta básica, os produtos processados e derivados de grãos seguem como os principais responsáveis pelos aumentos observados no acumulado semestral. A margarina, em particular, permanece entre os itens de maior impacto, refletindo o encarecimento de insumos, energia e embalagens.

:: Belo Horizonte: fubá (17,79%), margarina (14,43%) e óleo de soja (14,05%);
:: Brasília: pão (12,11%) e bovino (7,98%) e café (4,83%);
:: Curitiba: óleo de soja (12,87%) e margarina (9,43%) e bovino (7,32%);
:: Fortaleza: margarina (11,43%), café (7,54%) e óleo de soja (7,42%);
:: Manaus: café (17,77%), margarina (16,53%) e óleo de soja (10,49%);
:: Rio de Janeiro: margarina (18,83%), óleo (14,46%) e bovino (9,66%);
:: Salvador: café (12,52%), margarina (8,41%) e manteiga (4,58%);
:: São Paulo: bovino (12,55%), óleo de soja (6,80%) e margarina (5,14%).

Itens da cesta básica ampliada

A cesta de consumo ampliada, que reúne os 18 itens da cesta básica mais 15 produtos de higiene e limpeza, apresentou comportamento variado em outubro. Curitiba (-1,60%), Salvador (-0,99%) e Rio de Janeiro (-0,30%) registraram recuo nos preços, enquanto Belo Horizonte (0,49%) e Manaus (0,15%) tiveram leves aumentos.

No comparativo semestral, a cesta ampliada mostra tendência de alta na maioria das capitais, com exceção de São Paulo e Salvador:

:: Em alta: Manaus (17,17%), Curitiba (6,08%), Belo Horizonte (3,59%), Rio de Janeiro (2,78%), Brasília (1,42%), Fortaleza (1,10%);
:: Em queda: São Paulo (-2,04%) e Salvador (-0,74%).

Itens da cesta ampliada com aumentos expressivos

Entre os 33 itens monitorados na cesta ampliada, as maiores pressões foram exercidas por produtos alimentícios e produtos de higiene.


Destaque – Imagem: aloart / G. I.


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