Ahmed Sameer El Khatib — Doutor em Finanças e Educação, Mestre em Ciências Contábeis e Atuariais, pós-doutor em Contabilidade e Administração.  É professor e coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) e professor adjunto de finanças da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).


A instabilidade econômica e o aumento do endividamento das famílias brasileiras reforçam a importância da reserva de emergência como ferramenta essencial de proteção financeira. Ainda assim, muitos trabalhadores adiam esse hábito por acreditarem que é preciso ter muito dinheiro para começar.


De acordo com o coordenador do Instituto de Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), Ahmed El Khatib, esse é um equívoco comum. “A reserva de emergência não é sobre quanto você tem disponível hoje, mas sobre a disciplina de separar uma parte da sua renda, por menor que seja, para criar um colchão financeiro que garanta tranquilidade em momentos inesperados”, explica.

A recomendação de especialistas costuma variar entre três e seis meses de despesas básicas acumuladas, mas El Khatib reforça que a construção desse valor deve ser gradual. “Poupar 10% da renda mensal já é um bom começo. Se não for possível, comece com 5% ou até menos. O importante é criar o hábito e manter a consistência. O tempo será seu aliado nesse processo”, orienta.

Um erro frequente de quem tenta formar essa reserva é misturá-la com investimentos de risco ou utilizá-la para consumo imediato. O professor destaca que a reserva deve ficar aplicada em produtos financeiros de alta liquidez e baixo risco, como Tesouro Selic ou CDBs com resgate diário. “A função da reserva de emergência não é gerar altos rendimentos, mas estar disponível para uso imediato em situações de imprevisto, como perda de emprego, despesas médicas ou consertos inesperados”, afirma.

Outro aspecto relevante é o impacto psicológico que uma reserva bem estruturada traz para a vida do trabalhador. Além da segurança financeira, ela reduz a ansiedade em períodos de incerteza e fortalece a tomada de decisões mais racionais sobre o futuro. “Quem tem reserva de emergência negocia melhor, evita dívidas caras e consegue manter o equilíbrio mesmo em momentos de crise”, completa El Khatib.

Para o especialista, a mensagem principal é que qualquer pessoa, mesmo com renda limitada, pode dar o primeiro passo rumo à estabilidade financeira. “Não importa o valor inicial: começar é mais importante do que esperar pelas condições ideais, que muitas vezes nunca chegam. O hábito de poupar é o verdadeiro patrimônio que deve ser construído”, conclui o professor da FECAP.


Destaque – Imagem: aloart / G. I. / IA image


Leia outras matérias desta editoria

Petróleo salta com crise no Oriente Médio e impulsiona exportações do Brasil, aponta FGV

Alta ligada à guerra no Irã fortalece vendas externas, mas pressiona importações e reduz saldo comercial em março A escalada da crise no Oriente Médio, com impacto direto sobre o mercado global de petróleo, já começa a produzir reflexos no comércio...

Boom de imóveis na planta em SP expõe cobrança de INCC e leva a ações por reembolso

Com mais de 136 mil unidades lançadas em um ano, cresce a contestação judicial de cobranças indevidas em contratos corrigidos pelo INCC. O forte aquecimento do mercado imobiliário em São Paulo tem impulsionado não apenas os lançamentos de imóveis na...

IGP-10 dispara 2,94% em abril de 2026 e acende alerta para inflação no Brasil, diz FGV

Alta foi puxada por matérias-primas e impacto de combustíveis; índices ao produtor, consumidor e construção registram aceleração simultânea. O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) registrou alta de 2,94% em abril de 2026, segundo dados divulgados pela...

Emprestar o nome pode virar dívida: 6 em cada 10 brasileiros já assumiram risco por terceiros, diz Serasa

Pesquisa mostra que 34% ficaram endividados após ajudar amigos ou familiares; país já soma mais de 82 milhões de inadimplentes. Emprestar o nome para ajudar alguém a conseguir crédito segue sendo uma prática comum no Brasil — mas com riscos elevados. De...

Eleições devem impactar consumo em 2026, e 40% dos brasileiros já planejam cortar gastos, diz pesquisa

Levantamento da Neogrid com o Opinion Box mostra que brasileiros devem reduzir gastos em 2026, com eleições influenciando decisões de consumo. Uma pesquisa realizada pela Neogrid, em parceria com o Opinion Box, revela uma mudança relevante nos hábitos de...

Páscoa 2026: Ipem-SP alerta para golpes no peso de ovos de chocolate e pescados; veja como não sair no prejuízo

Órgão orienta consumidores sobre irregularidades em embalagens, brindes e balanças; cuidados simples evitam riscos à saúde e ao bolso Com a aproximação da Páscoa, cresce a procura por pescados, ovos de chocolate e outros produtos típicos da data. Diante...

Conflito no Oriente Médio pode pressionar economia do Brasil, alerta Cofecon

Com juros reais acima de 10%, Brasil enfrenta pressão inflacionária diante de choque global de oferta; Estreito de Ormuz concentra preocupações sobre energia e comércio internacional O Conselho Federal de Economia (Cofecon) alertou, nesta segunda-feira...