A saga contra apoiadores do agora condenado à prisão e preso político ex-presidente Jair Bolsonaro continua.


Nesta sexta-feira, de forma unânime, a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu a denúncia contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), após um inquérito aberto no dia 26 de maio pelo ministro Alexandre de Moraes, que o investigou por coação e tentativa de obstrução à Justiça. Tornado réu pelo colegiado por indícios, é acusado de “criar instabilidade, com aplicação de sanções dos EUA a autoridades brasileiras e prejuízos econômicos ao Brasil”, conforme divulgado pelo órgão.

Para Moraes, que também é o relator, há indícios de que, nos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro teve “como objetivo criar um ambiente institucional e social de instabilidade, com aplicação de crescentes sanções a autoridades brasileiras e prejuízos econômicos ao Brasil. A finalidade seria coagir os ministros do STF a decidir favoravelmente ao réu Jair Bolsonaro na AP 2668,” dessa forma desrespeitando o processo legal que condenou o ex-presidente. O relator frisou ainda que tudo isso foi abundantemente registrado nas redes sociais do deputado.

Grave ameaça

Na avaliação do ministro, a grave ameaça, parte do crime de coação, foi materializada na articulação e na obtenção de sanções do governo dos Estados Unidos, com a aplicação de tarifas de exportação ao Brasil, a suspensão de vistos de entradas de diversas autoridades brasileiras e a aplicação dos efeitos da Lei Magnitsky (que prevê restrições financeiras e comerciais) contra o próprio relator e sua esposa.

Segundo o ministro do STF, “há prova da ocorrência do crime e indícios razoáveis e suficientes de autoria nas condutas de Eduardo”. O relator ainda assinala que houve interesse próprio no fato de o parlamentar pretender criar ambiente de intimidação sobre as autoridades responsáveis pelo julgamento de seu pai.

Leia sobre o julgamento de Bolsonaro

Em nota oficial, intitulada “Perseguição ao deputado Eduardo Bolsonaro”, o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante, se manifestou sobre a decisão do STF, ainda na sexta-feira (14), data em que o STF acolheu a denúncia.

O parlamentar atribui a decisão de transformar o deputado Eduardo Bolsonaro em alvo a “interpretações elásticas, acusações frágeis e uma leitura distorcida do Código Penal, representa mais um passo perigoso na escalada autoritária que tomou conta do país”. Para ele, trata-se de “perseguição política travestida de processo legal”.

Sóstenes afirma que a Corte age com protagonismo político ao invés de garantir a Constituição. “E quando um ministro concentra, acusa, julga e pune, não há devido processo legal. Há poder sem limites”. A nota afirma ainda que “não há coerção, não há crime, não há fato concreto”. Cavalcante diz atribuir a decisão do STF ao fato de construir uma narrativa para atingir a família Bolsonaro e intimidar a oposição.

“O que está em jogo não é Eduardo. É a liberdade de manifestação de qualquer parlamentar que ouse discordar do sistema”, escreve e termina: “O Brasil não pertence a um ministro. O Brasil pertence ao seu povo; E nós não vamos recuar”.

 

Eduardo Bolsonaro. Imagem: PL / Reprodução

Leia a íntegra no Instagram


Destaque – Eduardo Bolsonaro. Foto: PL / Divulgação


Leia outras matérias desta editoria

Desgaste com ‘Dark Horse’ e Banco Master impulsiona recuo de Flávio Bolsonaro, aponta Quaest

Senador do PL oscila quatro pontos para baixo em cenário de primeiro turno; rejeição ao parlamentar chega a 56% após repercussão de conversas sobre financiamento. Os desdobramentos em torno do projeto do filme “Dark Horse” e as conversas envolvendo o Banco...

Dia Mundial dos Oceanos: poluição por plástico coloca o Brasil no topo de ranking

Debate no Dia Mundial dos Oceanos no Senado expõe contradições entre discursos oficiais de preservação e propostas legislativas que fragilizam a proteção costeira. O futuro da governança ambiental e a conservação das águas marinhas brasileiras...

Bilhões nas urnas: quanto cada partido receberá nas eleições de 2026

Ao todo, R$ 4,9 bilhões do Fundo Eleitoral serão divididos entre 30 legendas habilitadas para a disputa. Três partidos concentram 40% de todo o bolo financeiro da eleição. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou oficialmente os valores exatos do Fundo...

O choque da opinião pública com as verbas bilionárias de campanhas eleitorais

Apesar de blindado pelo Legislativo e validado juridicamente em 2022 pelo STF — que entendeu, por 9 votos a 2, que o Judiciário não deve interferir na definição de valores votados pelo Parlamento —, o Fundão opera sob intensa rejeição popular. Em 2025, o...

Fundo eleitoral 2026: partidos dividem a verba de R$ 4,9 bilhões

Criado para conter o poder econômico privado, o “Fundão” triplicou de tamanho em oito anos, foi chancelado pelo STF e hoje concentra 40% de sua verba bilionária nas mãos de apenas três partidos. Outro bloco formado pelo PSD, PP e MDB abocanha 25,26% do...

Câmara aciona freio na IA: projeto do Pró-Vítima que pune pornografia fake inicia tramitação

Protocolado pelo deputado Fausto Pinato, PL 2.435/2026 endurece o Código Penal para punir deepfakes sexuais e cria rastreamento de criminosos digitais. O avanço da Inteligência Artificial (IA) generativa e a explosão de casos de deepfakes sexuais —...

Senadores da oposição reagem com PEC de jornada flexível ao fim da escala 6×1

Proposta alternativa apresentada pelo senador Rogério Marinho permite remuneração por horas trabalhadas e tenta contrapor rigidez de projeto aprovado na Câmara. O debate sobre a reformulação das leis trabalhistas ganhou um novo capítulo no Senado Federal...