O fato, que ocorreu na noite de quinta-feira (13), por volta das 19h50, ainda repercute nas redes sociais e na mídia.


A explosão seguida de incêndio em uma casa na Rua Francisco Bueno, que havia sido alugada há 40 dias e servia como depósito de fogos de artifício, abalou as imediações da Avenida Salim Farah Maluf e da Avenida Celso Garcia e pôde ser ouvida num raio com mais de 3 quilômetros de distância. Prova disso foi o depoimento de morador da Rua Arnaldo Cintra que comparou a explosão com um trovão.

O caso foi registrado no 30º Distrito Policial do Tatuapé como explosão, crime ambiental e lesão corporal e está sendo investigado no âmbito da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP). O imóvel foi alugado por Adir De Oliveira Mariano, suspeito de ter provocado o evento que deixou famílias desabrigadas, acolhidas em casas de parentes, e 10 feridos.

Imagens impressionantes

Durante o rescaldo feito pelo Corpo de Bombeiros, o Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) encontrou um corpo carbonizado nos escombros que, levado ao IML (Instituto Médico Legal), não pôde ser reconhecido por um parente de Adir, mas tudo leva a crer que seja o dele. “A vítima, um homem, seria o suspeito de armazenar ilegalmente artefatos explosivos”, alegou a SSP.

Moradores dos prédios vizinhos filmaram e fotografaram o acontecimento, que também foi flagrado por câmeras de monitoramento. Agentes da GCM (Guarda Civil Metropolitana) e da PM (Polícia Militar) relataram que a explosão danificou veículos que estavam próximos. Os destroços foram lançados ao longe, estruturas metálicas foram danificadas e caíram e a Defesa Civil precisou interditar 23 imóveis, residenciais e comerciais.

Imagens feitas por moradores mostram a coluna de fumaça provocada pela explosão. Um incêndio seguido de outras pequenas detonações de fogos de artifício foi visto na avenida Salim Farah Maluf.

Delegado faz alerta à população

Em coletiva de imprensa da Polícia Civil de São Paulo, nesta sexta-feira (14), depois de responder às questões dos jornalistas e esclarecer que as investigações seguem para apurar onde o suspeito comprava os artefatos e se existem outros envolvidos, diante da possibilidade de o corpo carbonizado ser o de Adir, o delegado Felipe Soares, da 5ª Delegacia Seccional Leste que fica na Avenida Celso Garcia 2875, a poucos metros ao local, fala sobre a importância da participação comunitária.

“Por hora, o mais importante de tudo é dizer que, quando a sociedade vê uma pessoa armazenando esse tipo de substância ou suspeita de algum vizinho guardando algum artefato explosivo, deve comunicar às autoridades públicas”, enfatizou. Ele continuou e disse que o Poder Público não é onipresente e a comunidade pode fornecer informações e contribuir. “Para impedir esse tipo de tragédia, por que nós temos por hora 23 famílias sem casa, 10 pessoas lesionadas, uma pessoa morta, por conta de um indivíduo que não respeitou as regras sociais, que é não armazenar explosivos em casa. Por que agora a comunidade, os vizinhos, estão pagando a conta por isso”, concluiu.

 

 


Destaque – Imagem: Reprodução / Redes Sociais


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