Pesquisa realizada pela Serasa indica motivos que levam à inadimplência.
:: 56% dos inadimplentes paulistas já estiveram endividados em algum outro momento;
:: 9% dos endividados em São Paulo não conseguiram pagar contas básicas de luz, água ou gás;
:: Pela primeira vez, a inadimplência atinge 79 milhões de brasileiros, sendo mais de 18,6 milhões apenas no estado de São Paulo.


O desemprego segue como o principal fator de endividamento em São Paulo, segundo pesquisa realizada pela Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box. A falta de trabalho foi apontada por 20% dos paulistas, número que representa um dos maiores desafios à estabilidade financeira das famílias. Em seguida, aparecem gastos emergenciais (17%) e redução de renda (13%).

Patrícia Camillo, especialista em educação financeira da Serasa, explica que o endividamento reflete um conjunto de fatores econômicos e sociais, como a própria falta de educação financeira da população. “A queda no desemprego traz esperança e novas oportunidades, mas o desafio agora é transformar essa renda em estabilidade financeira. Após um período de perda de poder de compra, é fundamental que o consumidor aproveite esse momento para reorganizar o orçamento e evitar o acúmulo de dívidas.”

O estudo, que analisou o comportamento e o perfil dos inadimplentes, revela que o aumento no valor das contas básicas segue pressionando o orçamento: 9% dos paulistas afirmam não conseguir arcar com esses custos, que podem chegar até R$ 750 mensais para 85% deles, correndo o risco de terem os serviços básicos interrompidos. 88% desses endividados dizem ainda ter reduzido o consumo devido à alta dessas despesas. Entre eles, 44% cortaram até 10% dos gastos e 26% reduziram entre 11% e 20%

O papel do cartão de crédito na vida dos inadimplentes

Ainda de acordo com o levantamento, o cartão de crédito tem se mostrado um importante aliado na vida financeira dos brasileiros, permitindo o parcelamento de compras essenciais. No entanto, é preciso cautela para que o recurso não se torne um vilão do orçamento. Segundo a pesquisa, 49% dos consumidores paulistas têm como principal dívida no cartão de crédito as compras em supermercados, enquanto 40% recorrem ao método de pagamento para adquirir produtos como roupas, calçados e eletrodomésticos – gastos que, quando acumulados, podem facilmente comprometer a renda mensal.

Nos últimos 12 meses, o uso da modalidade segue tendo destaque: 25% dos inadimplentes de São Paulo afirmam ter concentrado seus gastos no cartão de crédito.

 

 

O peso do tempo sobre as dívidas

Os dados também mostram que 44% das dívidas dos paulistas já ultrapassam um ano de atraso. Entre os setores com débitos mais antigos, destacam-se as securitizadoras, as empresas de telecomunicações e o varejo, cujas dívidas frequentemente ultrapassam dois anos de inadimplência.

O cenário, muitas vezes, se repete, e os dados preocupam: 56% dos moradores de São Paulo endividados atualmente são reincidentes (já estiveram endividados em algum outro momento da vida), representando uma queda de 4 pontos percentuais em relação a 2024. Atualmente, o Estado soma mais de 18,6 milhões de inadimplentes, com mais de 88,3 milhões de débitos ativos, atingindo o maior montante desde 2020.

“O cenário ainda é desafiador, mas também é uma oportunidade de recomeço. Entender as causas do endividamento e buscar alternativas de negociação são passos essenciais para recuperar o equilíbrio financeiro. É nesse sentido que iniciativas de renegociação ganham ainda mais relevância”, destaca Patrícia.

Em meio a uma nova edição do Feirão Serasa Limpa Nome, principal mutirão de negociação de dívidas do país, 141 milhões de consumidores podem negociar dívidas com descontos expressivos e condições especiais em todo o país. A iniciativa reforça o compromisso da Serasa em facilitar o acesso à renegociação, permitindo que mais brasileiros retomem o controle de suas finanças e comecem 2026 com o nome limpo e o orçamento mais leve.

Metodologia

Pesquisa realizada pelo Instituto Opinion Box entre 9 e 24 de setembro de 2025, com 11.375 entrevistas online em todo o Brasil. Margem de erro de 0.9 pontos percentuais.


Destaque – Imagem: aloart / G. I.


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