O endividamento das famílias brasileiras segue em queda, acompanhado pela redução da inadimplência, que encerrou o ano em patamar melhor do que o observado em 2024. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).


Ao longo do ano, o percentual de famílias endividadas apresentou avanço, alcançando em outubro a máxima histórica de 79,5%. No entanto, nos dois últimos meses houve desaceleração, e o indicador fechou o ano em 78,9% — a menor taxa desde julho. Ainda assim, trata-se do maior nível já registrado para um mês de dezembro na série histórica, representando aumento de 2,3 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior.

Em relação à inadimplência, houve redução no primeiro trimestre, período em que o ciclo de alta da taxa Selic ainda estava em estágio inicial. A partir daí, o indicador voltou a crescer, atingindo também em outubro sua máxima histórica, de 30,5%. Apesar desse movimento, a necessidade de maior planejamento financeiro por parte dos consumidores contribuiu para a redução da parcela média da renda comprometida com dívidas ao longo do ano, especialmente no terceiro trimestre.

O aumento do endividamento aliado à inadimplência tornou o mercado de crédito mais seletivo, levando as instituições financeiras a reduzir os prazos das dívidas ao longo de 2025. No último trimestre, porém, com a melhora na percepção da inadimplência e impulsionado pelo efeito sazonal das festas de fim de ano — que aquecem o comércio e o crédito —, o prazo médio das dívidas voltou a avançar, mantendo-se praticamente estável.

O percentual de famílias que relataram ter dívidas a vencer — como cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e financiamentos de veículos e imóveis — manteve trajetória de queda em dezembro, atingindo 78,9%, embora ainda acima do resultado observado no ano anterior.

Além disso, houve melhora na percepção do endividamento, com recuo no percentual de pessoas que se consideram “muito endividadas”, que caiu para 15,7%.

Famílias com renda entre 3 e 5 salários mínimos

A análise por faixa de renda mostra que a redução mensal do endividamento ocorreu em todos os grupos, com maior intensidade entre as famílias com renda superior a 10 salários mínimos.

Já o percentual de inadimplência recuou para a maioria das faixas de renda, com destaque para as famílias que ganham entre 3 e 5 salários mínimos, que apresentaram a maior queda tanto no mês quanto no acumulado do ano. A exceção foram as famílias com renda entre 5 e 10 salários mínimos, que registraram aumento de 0,2 ponto percentual no mês.

Na avaliação da dificuldade para quitar dívidas em atraso, as famílias com renda entre 3 e 5 salários mínimos também se destacaram, apresentando novamente a maior redução, o que reforça a preocupação desse grupo em regularizar sua situação financeira.

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) é apurada mensalmente pela CNC desde janeiro de 2010. Os dados são coletados em todas as capitais brasileiras e no Distrito Federal, com amostra aproximada de 18 mil consumidores. As informações utilizadas neste levantamento foram divulgadas em 13 de janeiro de 2026.


Destaque – Imagem: aloart / G.I.


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