Agora Bolsonaro x Moro: quem mais sofre é o povo brasileiro


Sábado | 25 de abril, 2020 | 20h33

 

EMBATE DE GIGANTES E O ESTABLISHMENT


A história traça fases de governos e o presidente Jair Messias Bolsonaro iniciou neste sábado, 25 de abril de 2020, uma nova etapa de sua gestão; agora sem o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, certamente um pilar da primeira fase.

Gerson Soares

Quem lançou essa previsão foi o jornalista Augusto Nunes, na Jovem Pan durante o programa Pingos nos Is desta sexta-feira (24), com quem concordamos plenamente. Daqui em diante traçamos um resumo de fatos históricos recentes.

 

 

Bolsonaro e Moro são duas forças populares que têm seus pontos de vista voltados em prol do povo brasileiro. O primeiro empreendeu uma luta hercúlea com pouquíssimos recursos financeiros contra o establishment político, jurídico, monetário e midiático e conseguiu se eleger mesmo contra todas as probabilidades para o mais alto posto do Poder Executivo. Por seu lado, Sérgio Moro é um herói nacional, assim reconhecido pela luta contra a corrupção. Essa “doença” assolou sobremaneira o povo brasileiro até ser coibida pela Operação Lava-Jato – que ainda cava trincheiras nessa guerra –, comandada ultimamente pelo diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, cuja exoneração teria sido o motivo da sua saída do governo.

Exacerbadas as reais disputas de poder e vaidades, ambições pessoais e ideais, comuns entre esses dois líderes brasileiros, quem mais perdeu foi o povo brasileiro com a separação ou a exoneração de Moro do cargo máximo no Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

Propositalmente repetimos: “o povo brasileiro”, quatro vezes até aqui. O motivo é lembrar a ambos que foram por esse povo alçados às suas condições de celebridades. Bolsonaro como apto a assumir o maior e mais honroso cargo da Nação e Moro como o paladino da Justiça, não menos importante guardadas as devidas proporções.

A população que já estava abalada com a crise causada pelo isomento social e o medo da COVID-19, se entristeceu nesta sexta-feira de quarentena ao ver seus dois ídolos trocando acusações em rede nacional. Estarrecidos, viram seus líderes trazendo novamente o pânico da dúvida, criada por mais essa crise institucional.

Presidências abaladas

Há exatos dois anos, no dia 7 de abril de 2018, os brasileiros assistiram a derrocada do presidente Lula que mesmo elegendo Dilma Roussef para dar continuidade aos seus projetos e manter a hegemonia do Partido dos Trabalhadores, não conseguiu se livrar da prisão por corrupção. Os fatos foram expostos à exaustão e são conhecidos de todos.

Por sua vez, a presidente Dilma deixou pelo menos dois legados inesquecíveis, entre outros. A compra de uma usina americana literalmente enferrujada adquirida a preço de ouro e a construção de diversos estádios de futebol comprovadamente superfaturados e desnecessários. Sua gestão foi um desastre.

Depois de ser reeleita em 2014, para um segundo mandato, graças à influência de Lula, Dilma criou um déficit que ainda abala as contas públicas e por isso sofreu o impeachment em 2016. Assumindo o vice-presidente Michel Temer, logo um assessor de sua confiança foi filmado carregando uma mala cheia de dinheiro ilícito: 500 mil reais. Para complicar, o ex-presidente também está envolvido em investigações sobre esquema de propinas geradas no Porto de Santos em São Paulo, que supostamente o favoreciam e ao seu partido (hoje MDB) desde 1990.

Bolsonaro e o Centrão

Com forte apelo popular contra a corrupção, vontade de trazer de volta a dignidade da família brasileira e a proteção dos mais humildes, Jair Bolsonaro foi eleito em 2018 com 57,7% dos votos válidos, contra 44,87% do inexpressivo Fernando Haddad, que milagrosamente chegou a tanto. A votação favorável ao petista, até hoje não convence este humilde jornalista, quanto à forma como foi obtida.

De qualquer maneira Bolsonaro ganhou a disputa e montou uma equipe notável de ministros. “Dei carta branca aos meus ministros para que possam trabalhar”, disse ele várias vezes. “Autonomia não significa soberania”, tem explicitado principalmente desde a exoneração do ex-ministro da Saúde, Henrique Mandetta e agora sobre as afirmações do ex-ministro Sérgio Moro, quanto à sua promessa de autonomia para agir livremente no MJSP.

As exonerações de Mandetta e Moro vieram logo após os primeiros indícios de uma possível aproximação de Bolsonaro com o chamado centrão. E esse tem sido parte do seu carma, pois se por um lado alguns o possam apoiar, outra ala pede seu impeachment. Esse grupo existe desde a época dos “constituintes” em 1988 e é uma espécie de partido oculto. Na atualidade é formado por parlamentares de diversos partidos, tais como: PTB, PP, Solidariedade, PRB, PSD, MDB, PR, Podemos, Pros, Avante, DEM e PSDB.

Essa pulverização de ideologias, sem contar com aquelas que norteiam os demais partidos existentes fazem do Congresso Nacional um barril de pólvora, mas principalmente um campo de interesses partidários e pessoais, vaidades e fisiologismos que parecem infindáveis. Em resumo foi contra tudo isso, contra essa “velha política” desgastada do “toma lá dá cá” que Bolsonaro pavimentou sua campanha. Eleito, formou um ministério puramente técnico e extremamente capacitado, negando cargos aos congressistas. Cumpriu sua palavra, mas desagradou aos mais enraizados e espúrios interesses. Por isso, paga o preço e é duramente combatido.

Sofrendo fortes pressões para aprovar seus projetos, devido justamente a essa influência do centrão e dos partidos de oposição como o PT, o governo conseguiu atingir metas importantes até agora, como a Reforma da Previdência, o Anticrime de Moro, avanços econômicos significativos da pasta de Economia com o ministro Paulo Guedes, entre outros. Os artífices do jogo político em Brasília estão forçando o governo para que ceda e “conceda”, a fim de que lhe seja possível continuar em suas metas desenvolvimentistas, caso contrário continuarão travando seus projetos.

Se assim proceder, Bolsonaro passará a oferecer aquilo do que se alimenta o centrão: cargos e favorecimentos. Isto seria ir contra os princípios que o elegeram. Como o presidente vai separar o joio do trigo ou se afastar de ambos é a resposta que todos querem saber.

Gigantes da popularidade

O embate entre os dois gigantes populares da atualidade brasileira, Bolsonaro e Moro, acontece durante a pior pandemia dos últimos séculos pela sua eficiência de propagação e características ainda desconhecidas pelos mais renomados institutos e cientistas que buscam a cura através de medicamentos e pesquisam uma vacina eficaz.

Ao ex-juiz federal e agora ex-ministro Sérgio Moro não devem ter faltado convites para sair candidato à presidência em 2018, e essa possibilidade começa a ser aventada novamente com sua exoneração. Não restam dúvidas.

Se Bolsonaro era abominado pela mídia durante sua campanha, Moro é diversamente aclamado. No mesmo dia da exoneração, as primeiras publicações sobre suas afirmações contra o presidente durante a coletiva de imprensa que convocou foram publicadas pela Rede Globo, a maior desafeta do bolsonarismo. De forma semelhante, após entrevista a um programa da emissora, essa foi a gota d’água para a exoneração de Mandetta.

Sérgio Moro abandonou uma carreira de 22 anos como magistrado e revelou em sua entrevista coletiva de ontem, ao se despedir do cargo de Ministro da Justiça e Segurança Pública, que o único pedido feito quando de seu encontro no Rio de Janeiro com o recém-eleito presidente Jair Bolsonaro foi que “se caso me acontecesse alguma coisa, minha família não ficasse desamparada”, devido aos anos de previdência do qual teve de abrir mão ao aceitar o cargo em 2019, e logicamente quanto à sua intenção de continuar combatendo a corrupção e o crime organizado.

Em 2018, Moro aceitou o prêmio “Pessoa do Ano” realizado pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, entregue em Nova York, ainda como magistrado da Lava-Jato, evento organizado pelo Lide. A homenagem foi entregue pelo ganhador do ano anterior e fundador da entidade, João Doria, em plena campanha pelo Governo do Estado de São Paulo. Os petistas, metodicamente atacados pelo ex-prefeito de São Paulo – que prometeu fazer em quatro anos o que poderia fazer em oito, mas ficou menos de dois anos à frente da Prefeitura e deixou o cargo para concorrer ao posto de Governador – protestaram à época contra a premiação.

Moro 2022?

Sérgio Moro conta indiscutivelmente ainda com o apoio popular e sem dúvida seria um fortíssimo candidato à presidência nas próximas eleições de 2022. Além disso, sua popularidade é bem-vinda em qualquer palanque, tanto que com ironia ou não, pergunta-se agora se os petistas o perdoariam pelo encarceramento do seu maior ícone, o ex-presidente Lula.

A classe política traça caminhos e trilhas infindáveis no Brasil. A miríade de partidos parece ter criado uma sociedade secreta que dita as regras de Brasília para o resto do país, aprovando ou não aquilo que convém a poucas dezenas em detrimento das necessidades de muitos milhões. As vaidades e a ambição pelo poder suplantam, principalmente, o possível sofrimento dos menos favorecidos que mesmo sob a pandemia de coronavírus e milhares de óbitos não são poupados.

Nessa nova crise que se estabelece em torno do poder dois anos e oito meses antes das próximas eleições, quem mais sofre com tamanha ambição é o povo brasileiro que escuta e sente, se depara com outra decepção, mas não pode parar tem de seguir em frente.

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