Recovery de Oxford: estudo sobre dexametasona é elogiado por médico brasileiro


Quinta-feira | 18 de junho, 2020 | 17h


DEXAMETASONA É BOA NOTÍCIA, MAS NÃO PRATIQUE AUTOMEDICAÇÃO


Os perigos da automedicação já foram temas desta editoria de Medicina & Saúde. Como sabemos esse tipo de atitude pode causar sérios danos ao corpo humano e às vezes irreversíveis. Apesar da boa notícia, a dexametasona só deve ser usada sob prescrição médica.

Gerson Soares

Para esclarecer melhor sobre o uso da dexametasona no tratamento contra a COVID-19, anunciada na terça-feira (16) por pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e publicada ontem (18) sob o título: “Dexametasona será usada no tratamento da COVID-19, afirmam pesquisadores ingleses”, conversamos com a assessoria do médico brasileiro Álvaro Nagib Atallah (MD PHD Professor Titular de Medicina Baseada em Evidências e Medicina de Emergência da Universidade Federal de São Paulo) que nos encaminhou o artigo científico intitulado “COVID-19: evidências clínicas mais confiáveis – A importância dos ensaios clínicos e revisões sistemáticas”.

 

Estudo Recovery da Universidade de Oxford comprova eficiência da dexametasona no tratamento da COVID-19. Foto: divulgação / University of Oxford

 

Nesse artigo, o doutor Atallah* explana sobre as dúvidas lançadas ao mundo científico pela pandemia e salienta a importância das pesquisas e estudos clínicos, antes de ser possível afirmar que uma droga possui grau suficiente de eficiência no tratamento de alguma enfermidade, como o coronavírus. Não se trata aqui de uma vacina, cujas pesquisas também se encontram em fases avançadas na Universidade de Oxford, mas sim de um remédio que alivie os males causados pela doença, neste caso, a dexametasona.

“Recentemente, duas grandes revistas, o The Lancet e o New England Journal of Medicine, retiraram de seus bancos de dados dois artigos sobre o novo coronavírus. A Organização Mundial da Saúde cancelou e reiniciou um ensaio clínico sobre o uso da hidroxicloroquina no tratamento da doença. Em seguida, afirmou que a possibilidade de transmissão do SARS-CoV-2 seria rara em pacientes assintomáticos, mas logo negou o que havia declarado. Frequentemente, anunciam-se curas para a COVID-19 com claras associações simultâneas das notícias com valores de ações dos laboratórios fabricantes, baseados em poucos casos, mal ou sequer documentados”, expõe o médico em seu artigo.

Atallah alerta para oportunistas e outros interessados em manter suas visualizações em alta na web e redes sociais, que na verdade se travestem de interesses próprios.

“Aparentemente, o vírus também está afetando as ciências da saúde, as reputações de revistas conceituadas, a política e as instituições responsáveis pela preservação do estado de bem estar físico, mental e social da população. Tudo isso é compreensível, dada a gravidade do trágico contexto e também porque a pesquisa clínica requer, além de competência clínica, isenção, imparcialidade e boas evidências advindas de outras cuidadosas pesquisas”, esclarece o professor de Medicina Baseada em Evidências e Medicina de Urgência.

 

Professor, doutor Atallah sobre o Recovery: "(...) há pouca dúvida de que se trata da primeira evidência de um tratamento medicamentoso de fato benéfico (...)". Foto: divulgação / APM

 

Décadas de aprimoramento

“Há mais de 30 anos, juntamente com outros colegas, tentamos aprimorar a pesquisa, o ensino e a aplicação da Medicina Baseada em Evidências no Brasil e ao redor do mundo. São nítidos os impactos científicos, didáticos, econômicos e jurídicos dessa iniciativa nas últimas décadas,” demonstra o doutor Atallah.

Ao relacionar a Medicina Baseada em Evidências com a publicidade, ele elogia a imprensa e os jornalistas que atuam na divulgação científica. “As exigências de evidências científicas por muitos profissionais de imprensa durante a pandemia têm sido notáveis no Brasil, provando que esse trabalho coletivo continuado há mais de 35 anos vale a pena”.

Para o professor Atallah ainda falta muito a ser feito, apesar da contribuição dessa área do conhecimento para o Brasil e o mundo. “Com certeza, essa pandemia tem ajudado na conscientização social do papel de cientistas preparados, essenciais para o enfrentamento da guerra contra esse perigosíssimo inimigo invisível. E uma guerra como essa, da qual depende a vida de centenas de milhões de pessoas, definitivamente, não é para qualquer profissional da saúde.”

Dexametasona

Depois de fazer uma longa explanação sobre a importância e o valor das evidências científicas, ele afirma que existe mais de uma centena de ensaios clínicos sobre o tratamento da COVID-19, e aponta o trabalho da Universidade de Oxford como um dos melhores. “Nos sites de registros de ensaios clínicos a serem concluídos constam atualmente mais de uma centena sobre o tratamento da COVID-19. Um dos melhores, o Recovery da Universidade de Oxford é um estudo fatorial – ou seja, com várias intervenções terapêuticas para a doença comparadas com um grupo controle para gerar respostas rapidamente”, elogiou.

“Um desses ensaios clínicos comparou o uso de dexametasona oral ou endovenosa em pacientes internados que necessitaram oxigenação não invasiva ou ventilação mecânica. Dada a qualidade do projeto e o tamanho amostral adequado, há pouca dúvida de que se trata da primeira evidência de um tratamento medicamentoso de fato benéfico para o tratamento de pacientes com COVID-19 em necessidade de oxigenação suplementar. Não se aplica para os casos mais leves.”

 


*Álvaro Nagib Atallah é MD PHD Professor Titular de Medicina Baseada em Evidências e Medicina de Urgência pela Universidade Federal de São Paulo. Diretor do Centro Cochrane do Brasil. Diretor Científico Eleito da Associação Médica do Estado de São Paulo e Editor Chefe da Revista Médica de São Paulo.

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