Água de beber


Quarta-feira, 8 de abril de 2015, às 13h07

 

Gerson Soares

Parafraseamos o título da canção de Tom Jobim, “Água de Beber”, em cujas estrofes também se encontram a palavra camará – uma planta brasileira – para lembrarmos a qualidade da água servida hoje às torneiras de São Paulo e também no bairro do Tatuapé.

Certamente esse arbusto, também conhecido por cambará, não se importaria em nascer em meio ou ser regado pela água amarelada que chega às residências, mas o poeta não beberia desse líquido, caso contrário correria o risco de ficar doente.

É o que alertam os médicos e não fica muito difícil descobrir o porquê. Fizemos um teste com a água que vem pelos canos e daquela adquirida através de galões, aqueles azuis de 20 litros, muito usados nos bebedouros.

 

Água de beber, você beberia?  Amostras de água  vendida em galões e da que sai da torneira, colhida no Tatuapé. Foto: aloimage

Água de beber, você beberia? Amostras de água vendida em galões (E) e da que sai da torneira (D), colhida no Tatuapé. Foto: aloimage

 

A coloração amarela da primeira amostra de água, já foi vista em reportagens na TV e dada como aceitável ou normal pela Sabesp, que disse ter até degustadores para determinar a qualidade do serviço que presta. Na segunda vasilha (à esquerda), temos a água que aprendemos a conhecer, límpida, inodora e incolor. Era assim que se ensinava aos alunos desde as escolas primárias na época da criação da letra e música de Tom Jobim.

Atualmente não seria possível ensinar às crianças que a água deve ter essas características, se levarmos em conta a que tem saído das torneiras das casas. A didática precisaria mudar ou a sapiência dos professores faria com que os alunos aprendessem que a boa água de beber deve conter tais aspectos, diferenciando-a daquela que não os contem.

A esta água amarela as donas de casa não estão acostumadas, precisam se esforçar para resistir à tentação de deixá-la escorrer pelo ralo da pia até que fique mais clara. Quando não resistem, o desperdício é certo. Preparar a comida com essa água também ninguém quer, não há esse costume, mesmo que a Sabesp alegue ser boa para o consumo, distanciando-se das recomendações médicas. O governo de São Paulo e a Sabesp precisam equilibrar essa questão e certamente gerariam mais economia.

“Água de beber, água de beber camará”; os versos do poeta são eternos. Mas e essa água amarela, que em outras regiões é esbranquiçada, cheia de cloro e esquisita, vai ficar assim até quando?

Em contato com a Sabesp sobre o assunto, aguardaremos um parecer dos técnicos que, segundo a assessoria, poderão até recolher amostras da água vista nesta imagem antes de se pronunciarem. Vamos acompanhar.


Leia a resposta da Sabesp


 

 

Enquanto isso, continuando na campanha para economizar água, divulgamos o vídeo da Sabesp, que ensina como descobrir vazamentos.

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