Construção do CEU Carrão/Tatuapé: exemplos de má gestão e descasos com a saúde pública


Quinta-feira | 17 de dezembro, 2020 | 17h

 

À distância é possível observar a entrada principal do futuro CEU Carrão/Tatuapé, ainda sem data para inaugurar. Foto: aloimage


ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


Em 2014, o Alô Tatuapé recebia reclamações de leitores sobre as péssimas condições em que se encontravam as instalações do então Centro Educacional e Esportivo Brigadeiro Eduardo Gomes, uma área verde com 95 mil metros quadrados, administrada pela Prefeitura de São Paulo (PMSP), localizada ao lado da estação Carrão do metrô que fica no início da Rua Apucarana com a Radial Leste, no Tatuapé, em São Paulo.

Gerson Soares

Nas redes sociais, moradores do tradicional bairro paulistano e usuários daquele espaço público também deixavam claro o lamentável estado de conservação dos equipamentos, vestiários, piscinas e do parque como um todo. O mato alto tomava conta escondendo usuários de drogas e moradores de rua, os frequentadores sentiam-se ameaçados.

A partir de então, como repórter do Alô Tatuapé, passei a acompanhar com mais atenção o velho parque que hoje ocupa a área onde havia um grande sítio agrícola, cujas memórias tive a oportunidade de relatar em obras literárias históricas do bairro, através do conhecimento adquirido em pesquisas, conversas com descendentes dos chacareiros e até com um casal de portugueses, antigos arrendatários da chácara que ali existiu. O sítio ocupava todo o quarteirão entre as ruas Apucarana, Tijuco Preto, Monte Serrat e a atual Radial Leste que nessa época ainda nem existia. A paisagem se estendia até os trilhos da Central do Brasil, cujo traçado ainda serve à Companhia Paulista de Trens Urbanos (CPTM).

O conjunto de reportagens pode ser lido aqui  

O grande sítio, dividido em chácaras menores, deu lugar a um parque com aparelhamento esportivo, uma escola (hoje EMEI Quintino Bocaiuva) e ao que tudo indica agora abrigará um CEU (Centro Educacional Unificado). O casal de portugueses, João e Maria, se estiverem entre os vivos a esta altura já ultrapassaram a casa dos 90 anos.

 

Em 2014 o mato cobria os brinquedos, ladeava a pista de cooper e a degradação era lamentada pelos frequentadores do C.E.E. Brigadeiro Eduardo Gomes. Foto: aloimage / arquivo

 

Sucessão de descasos com a saúde pública

Partidos políticos e cidadãos munidos de autoridade, entre eles os que hoje pregam isolamento e regras rígidas contra a Covid-19 – um bilionário mercado financeiro e vasto campo de oportunidades políticas –, levaram o parque ao caos, o transformaram em um vetor de doenças transmissíveis por insetos e roedores, onde a sujeira e o descaso com a saúde pública dominaram o cenário entre os anos 2014 até 2019, alvos principais deste resumo.

Apesar das inúmeras tentativas feitas por mim, através de reportagens publicadas no Alô Tatuapé, para alertar os responsáveis sobre esses fatos, nada mudava concretamente durante esse período.

Em 2014, durante a gestão petista do prefeito Fernando Haddad (2013-2016), a Prefeitura de São Paulo passou a sinalizar com a construção de um CEU nesse privilegiado recanto, desvirtuando a vocação esportiva do parque. Participando de reuniões, entrevistas e levando aos administradores os problemas que chegavam através dos leitores é notório que de 2014 até a lenta retomada das obras no final de 2018 as coisas só pioraram e se alongaram até o final de 2019.

 

Logo começariam as demolições dos antigos e decadentes vestiários e outras instalações do parque. Foto: aloimage / 2015-2016

 

Antes de Haddad, Gilberto Kassab (PSD) entre 2006 e 2012, governou o município; seu antecessor foi o tucano José Serra – do qual era vice-prefeito. Serra esteve à frente da Prefeitura por apenas um ano entre 2005 e 2006, quando passou a fazer campanha para o Governo do Estado de São Paulo, sendo eleito em 2007 para assumir a cadeira no Palácio dos Bandeirantes em 2008. Durante esse período o parque também não recebeu a atenção que merecia.

Esse problema no Tatuapé se arrastou durante a curta gestão na Prefeitura do atual governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que começou em janeiro de 2017 e terminou em abril de 2018, quando seu vice Bruno Covas (PSDB) assumiu o cargo. Doria repetiu a manobra de Serra para alcançar o governo do estado, a passagem pela Prefeitura da cidade serviu de trampolim a ambos.

Na curta passagem pela administração do município paulista, Doria, no entanto, ficou com a herança maldita do PT. A obra inacabada de um CEU em meio a uma área verde privilegiada, num dos bairros de classe média e média alta da Capital, onde não se sabe por que seria construído um CEU em detrimento de áreas mais necessitadas desse tipo de aparelhamento.

 

Herança maldita do petista Fernando Haddad: Obra inacabada do CEU Carrão no Centro Esportivo do Tatuapé, milhões desperdiçados para criar pernilongos. No local onde está a câmera havia um ginásio poliesportivo que foi demolido para erguer este monumento à má administração pública. Foto: aloimage/arquivo

 

Haddad não conseguiu se reeleger e transmitiu ao rival do PT, um canteiro de obras contendo os esqueletos das estruturas e buracos das fundações que rapidamente se transformaram em focos de mosquitos – devido ao acúmulo de água das chuvas. Isso ocorreu antes, durante e depois das campanhas contra a dengue, chikungunya e zika, promovidas pela Prefeitura entre as gestões Haddad, Doria e Covas.

Evolução da construção do CEU Carrão/Tatuapé

Há décadas essa área padece de uma síndrome de nomenclaturas. Cada prefeito e seus secretários resolvem mudar o nome do lugar, passando o parque de uma secretaria a outra, de um diretor a outro. E parece que não será diferente agora com a chegada de um CEU que está situado indiscutivelmente no Tatuapé, mas foi denominado inicialmente CEU Carrão e em seguida Carrão/Tatuapé, ou seja, antes mesmo de sair do papel já teve dois nomes.

Depois de tanto abandono, demolições e paralisações de obras, mesmo com a boa aparência externa a que se chega agora em 2020, ainda há quem duvide da concretização do projeto, como alguns comerciantes com os quais tive a oportunidade de conversar na primeira semana de dezembro.

A obra foi anunciada oficialmente pelo então prefeito Haddad (PT) em dezembro de 2015 fazendo parte de um projeto de expansão da Rede dos CEUs. De acordo com ele seriam construídos oito novos CEUs com investimento total de 320 milhões de reais. A expectativa do petista era de que todos fossem entregues, “no máximo”, em 12 meses. O que não ocorreu.

Se a área já estava abandonada com equipamentos totalmente deteriorados e o mato alto desde 2014, em janeiro de 2016 havia quem tivesse esperança na fala de Haddad. Até o final daquele ano, a promessa aumentara de oito para 20 CEUs, mas apenas o de Heliópolis ficou pronto. A realidade mostrou que após 12 meses, o prometido CEU Carrão/Tatuapé virou um viveiro de larvas de insetos vetores de possíveis proliferações de doenças como a dengue. Com as obras paralisadas, o bairro via seu parque em colapso e montanhas de entulhos se misturaram à paisagem degradada.

 

Placa da gestão Haddad sobre o gradil do Centro Esportivo do Tatuapé mostrava o prazo de execução da obra: "Início 07/12/2015 | Final: 05/12/2016". Em 2020 ainda se espera pela conclusão e ainda não se sabe ao certo se haverá um CEU no local. Foto: aloimage/arquivo

 

Gestão Haddad: promessas e reportagens proibidas

No dia 19 de janeiro de 2016, o então diretor do parque promoveu uma reunião com membros dos clubes que utilizavam os campos de futebol, para formalizar alguns detalhes que seriam efetivados após o término da construção do CEU. Segundo ele, conforme Haddad, a obra estaria pronta no final daquele ano e, portanto, mais promessas foram feitas, inclusive até de grama sintética para o campo de futebol principal e de reabertura, já que o parque havia sido fechado ao público devido às demolições. A presença de repórteres como eu não era bem-vinda para documentar a evolução das obras, porque na verdade não havia uma evolução propriamente dita.

Em reportagem publicada no dia 22 de março de 2016 presenciei e documentei a maquiagem da área, bem aos moldes dos maus serviços públicos. A fim de melhorar a aparência do parque, já desfigurado para a suposta construção do CEU, o lugar foi dividido. A parte que seria liberada ao público recebeu algumas mãos de tinta branca, demarcações e o mato foi aparado, enquanto a área que seria destinada ao CEU foi cercada por vistosos tapumes prateados. Com o passar do tempo, pouco mais de um ano, as estruturas de madeira que os sustentavam se deterioraram, vários módulos de tapumes foram furtados por moradores sem teto – segundo moradores – e a situação ficou pior ainda.

 

2016: Tapumes cercam a maior parte das dependências do clube esportivo. Foto: aloimage/arquivo

 

Com a precária reabertura do parque em vigência, pude entrar como qualquer usuário e constatar mais reclamações. Agora uma piscina estava cheia de água das chuvas. Condôminos dos prédios do entorno fotografavam do alto o antigo parque aquático em escombros, pois assim como os moradores e comerciantes locais temiam o contágio por doenças transmitidas por pernilongos. Ao mesmo passo, campanhas publicitárias pagas com o dinheiro público foram veiculadas nas grandes redes de televisão e rádio pela Prefeitura.

Levamos a reclamação dos leitores sobre a piscina ao conhecimento das autoridades e a Coordenadoria Regional de Saúde Sudeste informou: “O parque é monitorado mensalmente pela Supervisão de Vigilância em Saúde (SUVIS) Aricanduva/Mooca como Imóvel Especial e passou por vistoria em 11/03. A piscina estava com água suja, mas devidamente clorada e sem risco para a saúde pública”.

A partir de então seguranças transitavam pelo local e em 2017 quando tentei fotografar as estruturas abandonadas na gestão Haddad que passaram como herança a Doria, eles não titubearam em me impedir, dizendo que fotos estavam proibidas e somente poderiam ser feitas com autorização do diretor. Aquele mesmo que havia feito inúmeras promessas aos clubes, meses atrás. Ainda em 2016, como previam os moradores, quem andasse pela passarela do metrô não teria dificuldade para ver as piscinas do conjunto aquático cheias de água. Fato que documentei.

 

Uma das últimas imagens feitas antes da proibição da entrada nas dependências do Centro Esportivo Brigadeiro Eduardo Gomes, mostra as piscinas cheias de água das chuvas: preocupação dos moradores do entorno do parque. Foto: aloimage/arquivo

 

Abandono total

A partir do dia 30 de agosto até o dia 13 de setembro de 2017, demonstrei em outras reportagens o total abandono. Estávamos na gestão de João Doria à frente da Prefeitura de São Paulo e a situação caótica do parque chegava ao auge do descaso com a saúde pública, mesmo com as reportagens do Alô Tatuapé demonstrando com fotos e vídeos. Postagens nas redes sociais da população também manifestavam desaprovação.

Em contato com órgãos municipais, em 1º de setembro, a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (SEME) enviou a seguinte nota ao veículo que consta em uma das publicações.

“O Centro Esportivo Brigadeiro Eduardo Gomes foi cedido para a Secretaria Municipal de Educação em 2015 para a construção do CEU Vila Carrão. As secretarias municipais de Educação, Obras e Serviços e de Esportes e Lazer reuniram esforços para disponibilizar parte do CEU provisoriamente para uso da população (área do campo de futebol, pistas e ginásio) como Clube da Comunidade (CDC), recebendo manifestação de entidades que tenham o perfil adequado para tal, até a retomada das obras. Serão colocados tapumes, isolando a área em obras, o que garantirá a segurança dos frequentadores. Enfatizamos que, imediatamente sejam retomadas as obras, a área deverá retornar à SME/SMSO para conclusão do CEU Vila Carrão.”

 

CEU Carrão em setembro de 2017, já na gestão de João Doria, quase um ano depois do prazo prometido por Fernando Haddad para o término da obra: esta era a imagem da administração pública em São Paulo. Mas a maior surpresa ainda estava para ser descoberta sob as estruturas inacabadas. Foto: aloimage/arquivo

 

Cabe esclarecer que o ginásio poliesportivo citado pela SEME há muito estava demolido, fato ocorrido ainda no início das obras de Haddad. Quanto à colocação de tapumes, talvez quisessem dizer que substituiriam os furtados e aqueles danificados pelo tempo, sendo que os tapumes foram colocados em 2016, também pela gestão petista.

A resposta da SEME por si só, demonstra a falta de interesse da gestão tucana e o desconhecimento dos problemas do parque. Em uma de suas visitas surpresas, desta vez ao Hospital do Tatuapé, no dia 6 de dezembro de 2017, o prefeito Doria chamou o Tatuapé de periferia. Isso lhe custou muitas horas pedindo desculpas na mídia e nas redes sociais, que viralizaram com respostas de todos os tipos à sua afirmação. Ele foi amplamente ironizado pela população local que é acirradamente bairrista.

Leia o artigo Tatuapé é periferia desde a fundação de SP, os Jardins nem existiam

 

Legenda de 2017: Arquibancada no Centro Esportivo do Tatuapé: pintura nova e tapumes improvisados para esconder os perigos e sujeira que estão atrás. Imagine uma criança que vai assistir ao jogo do time do pai no campo em frente, que resolva se encostar na espetacular estrutura com que conta o parque. É melhor nem imaginar. Foto: aloimage/arquivo

 

Gestão Doria: CEU Carrão/Tatuapé não teria continuidade

Desde o mês de agosto de 2017 buscando respostas junto aos órgãos competentes, no dia 5 de setembro a Secretaria Municipal de Educação (SME) enviou a resposta abaixo, onde deixava claro que a Prefeitura não teria condições de dar continuidade às obras do CEU Carrão.

“O CEU em questão está com as obras paralisadas diante do rombo orçamentário de R$ 7,5 bilhões, deixado pela gestão passada e do desafio de atender à demanda por vagas em creches. Por conta disto, a secretaria de Educação priorizou a retomada de obras de CEIs. A obra foi abandonada pela gestão anterior com apenas 27% dos serviços concluídos e está localizada em uma região onde não há demanda reprimida por Educação Infantil. Com o mesmo orçamento de uma obra desse porte seria possível construir 10 creches em regiões prioritárias da cidade. A Prefeitura estuda o uso do espaço e reavalia quando será possível retomar os investimentos no local. A criação de vagas em creche é prioridade da atual gestão. O plano para a retomada das obras deixadas inacabadas pela gestão anterior foi colocado em ação e 13 unidades estão em andamento.”

Reabertura com nova maquiagem

No início do mês de dezembro de 2017, com o mesmo subterfúgio usado pelo petista Fernando Haddad em 2016, o então prefeito João Doria, tendo como vice Bruno Covas que logo assumiria sua cadeira, maquiou parte do parque com pinceladas de tinta branca nas arquibancadas do campo de futebol principal – para agradar aos diversos clubes que ali mandavam seus jogos e concordaram com a reabertura – e promoveu o corte do mato. Fazendo jus ao seu programa “Cidade Linda”, a parte “linda” deste lado dos tapumes ao longo da Rua Apucarana até que reluzia a olhos distraídos. Em pouco tempo a mágia acabou e a feiura voltou.

Também foram adicionados alguns aparelhos de ginástica ao ar livre bem na entrada do extinto conjunto aquático. Detalhe interessante foi ver as bandeiras do Brasil, de São Paulo e da Prefeitura tremulando em mastros novos erguidos para a ocasião. Mais uma tentativa de iluminar a escuridão do descaso e desrespeito à opinião pública.

 

Reabertura do parque feita pela Prefeitura em dezembro de 2017: Pavilhão das bandeiras à frente de um dos esqueletos estruturais que serviriam para o CEU que não será construído, segundo órgão: triste lugar para hastear as bandeiras que tantas histórias de bravura e heroísmo trazem em seu âmago. Foto: aloimage/arquivo

 

Sob a grave possibilidade de continuar colocando a saúde da população em risco, a sujeira ficou escondida do outro lado – Rua Monte Serrat – dos tapumes vistosos, inaugurados pelos então inimigos políticos petistas. Meses depois, a candidatura de João Doria ao Governo do Estado de São Paulo seria lançada pelo PSDB. A esta altura, Geraldo Alckmin havia se desincompatibilizado do cargo de governador para concorrer à presidência da República. Mesmo sabendo disso, depois de sem sucesso tentar puxar o tapete do seu padrinho político à corrida presidencial de 2018, Doria que ambicionava a presidência passou a se dedicar à campanha estadual ao governo e se tornou ferrenho bolsonarista.

Para alavancar sua campanha ao governo de São Paulo chegou a viajar ao Rio de Janeiro no dia 12 de outubro para declarar seu apoio ao então candidato do PSL à presidência Jair Bolsonaro – que não o recebeu. De qualquer forma declarou-se publicamente inimigo do Partido dos Trabalhadores, gestão combatida também pelos bolsonaristas, sendo mais um dos que pegaram carona no forte apelo popular de Bolsonaro.

Politicamente toda essa situação não existe mais. Não faz muito tempo, Doria chegou a flertar com o PT e Lula para desconstruir ações do governo Bolsonaro, algo que faz metodicamente nos dias atuais visando à eleição presidencial de 2022, que não esconde de ninguém. Ao que se conclui a política “é muito dinâmica”, palavras do tucano. Parece que não importa se a população perde com essas manobras. Quando a política é feita para satisfazer o ego e as aspirações individuais, a ética fica muito longe de tais costumes.

Fatos são fatos

Em fevereiro de 2018, dois meses depois de agradar aos interessados com a reabertura do parque efetivada em dezembro, nova reportagem do Alô Tatuapé mostrava o mato crescendo ao lado dos campos antes maquiados em dezembro. A manobra da maquiagem foi reconhecida até por jogadores dos clubes. Novamente publiquei o aumento da proliferação das larvas e a sujeira reinante do outro lado dos tapumes.

Enquanto os jogadores e os raros frequentadores do desfigurado lugar tentavam obter o seu lazer, poças enormes de água das chuvas dentro e fora das estruturas abandonadas, não escondiam o engodo no qual se comprazem alguns membros da classe política. Sem se dar conta do que havia ao longo da Rua Monte Serrat entre a Rua Tijuco Preto e a Radial Leste, milhares de pessoas passavam diariamente ao lado dos criadouros de mosquitos, roedores e da sujeira, claramente vista por quem quisesse enxergar, bem ao lado do gradil que circundava o parque, com inúmeros copos descartáveis e marmitex de isopor cheios de água das chuvas. Mais criadouros de mosquitos a céu aberto em um espaço administrado pelo executivo municipal, enquanto a Prefeitura gastava o dinheiro público com campanhas publicitárias pedindo a colaboração da população paulistana – inclusive sob pena de multa – no combate à dengue e aos mosquitos.

 

Fevereiro de 2018: Jogadores praticavam o esporte no campo principal: o corte do mato foi apenas para a reabertura "Cidade Linda" de dezembro, dois meses depois a manutenção já demonstrava ter sido esquecida. Foto: aloimage/arquivo

 

É importante salientar que o parque é cercado por prédios contendo apartamentos, escritórios, consultórios médicos e odontológicos, inúmeras casas, lojas e comércio, mas nada disso parece ter comovido as autoridades. Até novembro de 2019, mesmo com a retomada das obras, a sujeira persistia ao lado dos gradis. Novamente proibido de entrar para documentar a evolução do trabalho, com a segurança reforçada, não foi possível saber se os focos e os criadouros de mosquitos persistiram, nesta mesma época, durante o verão do ano passado.

Denúncia ao Ministério Público de São Paulo

Diante de um caso sem solução aparente, nos dias 17 e 18 de dezembro de 2017, publiquei uma série de reportagens colhidas durante semanas no local junto aos comerciantes, moradores, escolares, professores e aos pais de alunos da EMEI Quintino Bocaiuva. As matérias mostraram a proliferação de larvas de mosquitos e a sujeira predominante no canteiro de obras totalmente abandonado.

Naquele ano, dado o início do verão e consequentemente o aumento das chuvas, a Prefeitura iniciava novas campanhas contra a dengue, chikungunya e zica, Doria fazia seu marketing pessoal em aparições públicas para pedir à população que colaborasse, plantando a semente da sua candidatura ao Governo do Estado de São Paulo, enquanto no canteiro de obras sob sua responsabilidade no Tatuapé, ao lado de uma das estações de metrô (estação Carrão) mais movimentadas da cidade, as larvas de mosquitos proliferavam a céu aberto, sem que nada fosse feito.

Eu já não obtinha respostas às questões enviadas aos órgãos de imprensa da Prefeitura e sem saber a quem recorrer, levei ao conhecimento do Ministério Público de São Paulo os fatos que ocorriam e o perigo que representavam para a saúde da população local e flutuante.

Larvas vivas em parque do Tatuapé 

 

Publicado em 13 de fev de 2018

 

 

Gestão Covas: Sem informações

Concretizada no dia 29 de novembro de 2020, a reeleição do tucano Bruno Covas à Prefeitura foi criticada e não agradou à maioria dos paulistas. No segundo turno das eleições em São Paulo, dos 8.986.687 milhões de cidadãos aptos a votar, 3.169.121 milhões – aproximadamente 35% – votaram em Bruno Covas, enquanto o número de abstenções foi de 3,6 milhões.

Atribui-se à falta de opções – o que não deixa de ser verdade – os votos que lhe proporcionarão dar continuidade ao mandato a partir do ano que vem. Contudo, cabe a ele a missão de por um fim ao drama que aturde o Tatuapé durante a última década, desde que a política insalubre tomou conta das instalações do parque ao lado da estação Carrão do metrô. Pelo que parece em breve abrigará um CEU em pelo menos parte da sua área, mas não é possível saber ao certo devido à falta de informações e as dúvidas dos anos anteriores.

Especula-se que ali haverá uma escola profissionalizante e um colégio, mas o destino do parque só será totalmente conhecido depois do término da construção que por enquanto não tem data prevista. Uma placa vista à frente da entrada principal durante reportagem no dia 8 de dezembro, com uma tarja preta cobrindo parte dela, exibia o nome da obra: “Construção do CEU Carrão/Tatuapé”.

 

Novembro de 2019: obra do futuro CEU Tatuapé/Carrão. Mistérios sobre o desenrolar dessa construção, que se deve à Prefeitura e aos vereadores de São Paulo que o aprovaram, em detrimento de bairros muito mais carentes deste tipo de aparelhamento. Um absurdo que ficará na história. Foto: aloimage/arquivo

 

Drama pode estar chegando ao fim

A pronta e necessária intervenção do Ministério Público de São Paulo agindo para conter os desmandos e riscos à saúde pública, as manifestações populares nas redes sociais, somados aos fatos aqui narrados e comprovados através do incansável trabalho deste órgão de imprensa – elaborando diversas reportagens fidedignas exclusivas tendo apenas o compromisso com a verdade desde 2014 – e das mídias também comprometidas com o interesse público, foram fundamentais para acelerar o processo de construção e destinação das verbas públicas ao parque.

As matérias elaboradas ao longo dos anos podem ser lidas com detalhes fotográficos e filmagens em Centro Esportivo do Tatuapé ou clicando aqui  

Todavia, a falta de um planejamento consistente, a demora em concluir a obra, os maus exemplos de gestão pública largamente apresentados neste compendio e nas demais reportagens desde abril de 2014 – há quase sete anos –, precisam ser bem observados para que não se repitam, ocorram esses péssimos exemplos em atos e semelhanças no âmbito municipal ou em outras esferas dos poderes.

A harmonia deveria ser imperante entre os anseios populares e os mandatos designados aos cidadãos seus representantes, pois recebem eles essa autorização com um único intuito: lhes é conferida a autoridade para servirem ao povo. Pensarem no sentido contrário, o de serem os mandatários servidos pelo Estado e por aqueles que os elegeram, não pode ser considerado o estado da normalidade.

 

Fotografia do dia 8 de dezembro mostra aspecto da entrada do CEU Carrão/Tatuapé (nome atual), "mas só se for atrás dos gradis", diz a segurança que continua reforçada. Com 4 anos de atraso, obra ainda cultiva mistérios. Foto: aloimage

Canteiro de obras abandonadas do CEU Carrão no interior do Centro Esportivo do Tatuapé: tampa (?) quebrada vista em dezembro e agora ainda mais deteriorada, onde vimos centenas de insetos na superfície da água. Foto: aloimage

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