Em conclusão, o estudo publicado no dia 7 de maio, fornece dados que associam a exposição às consequências que irão influenciar na saúde humana e contribui para o conhecimento de autoridades públicas interligadas ao tema. Apesar de ter sido realizado no Reino Unido, pode incentivar pesquisas devido às inundações no Rio Grande do Sul, no Brasil.


As inundações são o tipo mais frequente de desastre relacionado ao clima, representando cerca de 47% de todos os desastres relacionados ao clima de 1995 a 2015. Entre 1995 e 2015, mais de 2,3 mil milhões de pessoas foram afetadas por catástrofes causadas pelas cheias e diretamente mais de 157 mil pessoas morreram em consequência das cheias. Nos últimos anos, muitos eventos intensos de inundações urbanas foram registrados no Reino Unido, resultando em perda de vidas, danos a bens pessoais, infraestrutura de saúde pública e interrupção de serviços vitais, como água, comunicações, energia e transporte público. Aproximadamente 1,9 milhões de pessoas em todo o Reino Unido estão em áreas com risco de inundações, e este número duplicará já na década de 2050.

Danos à saúde

Além das mortes imediatas devido a afogamentos e traumas agudos, as inundações também podem causar impactos de curta duração (dias ou semanas) ou médios na saúde (várias semanas ou meses), incluindo a propagação de doenças transmitidas pela água e por vetores, como cólera, febre tifoide ou malária; ferimentos durante evacuações e limpeza de desastres; e exposição a perigos químicos. As doenças não transmissíveis (por exemplo, doenças cardiovasculares, neoplasias, doenças respiratórias crônicas e diabetes) que necessitam de tratamento e cuidados prolongados podem ser exacerbadas após as cheias devido a uma interrupção nos cuidados, tratamento, medicação, fornecimentos, equipamento e superlotação nos abrigos. Os problemas de saúde mental podem surgir de fatores de stress causados pelas inundações (por exemplo, danos materiais, perdas financeiras, perda de um ente querido) e ter efeitos duradouros na saúde sobre a mortalidade e a morbilidade. Essas consequências para a saúde a longo prazo podem surgir de vários caminhos, incluindo comprometimento do sistema imunológico, distúrbios do sono, abuso de substâncias e autocuidado inadequado.

Resultados

O risco de mortalidade por todas as causas aumentou 6,7% para cada aumento de unidade no índice de inundação após os fatores de confusão terem sido controlados. O risco de mortalidade por doenças neurológicas e mentais foi insignificante no ano corrente, mas foi maior nos anos 3 e 4. Em contrapartida, o risco de mortalidade por suicídio foi o mais forte no ano corrente, e atenuado para o ano 5. Os participantes com níveis mais elevados de educação e renda familiar tiveram um risco estimado mais alto de morte pela maioria das causas, enquanto o risco de mortalidade relacionada ao suicídio foi maior entre os participantes que eram obesos, tinham renda familiar mais baixa, praticavam menos atividade física e eram consumidores não moderados de álcool e aqueles que viviam em áreas mais desfavorecidas.

Conclusões

Em conclusão, este estudo fornece evidências epidemiológicas robustas para associações de exposição prolongada a inundações com aumento do risco de mortalidade. As consequências para a saúde da exposição às inundações podem variar em diferentes períodos após o evento, com diferentes perfis de populações vulneráveis identificados para diferentes causas de morte. Estas descobertas contribuem para uma melhor compreensão dos impactos a longo prazo da exposição às inundações e podem ajudar a melhorar as práticas de saúde pública para reduzir o fardo das doenças associadas às inundações.


Fonte: BMC Medicine
Citação: Wu, Y., Gasevic, D., Wen, B. et al. Floods and cause-specific mortality in the UK: a nested case-control study. BMC Med 22, 188 (2024). https://doi.org/10.1186/s12916-024-03412-0
Artigo completo: https://rdcu.be/dHPOi


Destaque – Em imagem de janeiro de 2021, as chuvas e o derretimento da neve aumentaram o nível do rio Ouse, em York, Inglaterra. Imagem: nudesignyork


Publicação:
Segunda-feira | 13 de maio, 2024


Leia outras matérias desta editoria

Cientistas desenvolvem tratamento oral para doenças da retina sem necessidade de injeções no olho

Nova classe de medicamentos fotoativáveis pode substituir agulhas por comprimidos no combate à retinopatia diabética e à degeneração macular Uma inovação científica desenvolvida na Europa pode transformar drasticamente o tratamento de duas das maiores...

Gripe e resfriado: entenda por que o frio favorece as infecções respiratórias

Baixas temperaturas, ambientes fechados e ar seco criam o cenário ideal para a circulação de vírus; especialista orienta como proteger as vias aéreas no inverno Com a chegada dos dias mais frios, torna-se comum o aumento de quadros de nariz entupido,...

Transplante aos 80 anos simboliza mudança de critérios na medicina diagnóstica e cirúrgica

Especialistas defendem avaliação individualizada e apontam o impacto de novas técnicas e medicamentos na ampliação do acesso de idosos a procedimentos de alta complexidade. No dia em que completou 80 anos, o empresário Francisco Simeão tornou-se o paciente...

Copa do Mundo pode incentivar a prática de hábitos saudáveis

Em posicionamento conjunto, AMRIGS e SOGAMEDE destacam que o Mundial serve como estímulo contra o sedentarismo, mas alertam para o risco de lesões e a necessidade de avaliações prévias. A grande mobilização gerada pela Copa do Mundo reacende o interesse da...

Junho Vermelho: Hospital São Paulo tem queda de 40% nas doações de sangue e adia cirurgias

Estoques operam com metade da capacidade para os tipos sanguíneos mais críticos e hemocentro da Unifesp tem reserva para apenas um dia. O Hemocentro HSP/Unifesp enfrenta uma redução expressiva nas doações e faz um apelo urgente à população neste mês de...

AMB debate linha de frente da saúde em congresso na capital paulista

Quarta edição do encontro nacional de medicina geral deve reunir mais de 400 palestrantes no Distrito Anhembi, entre eles Dráuzio Varella e Guido Palomba, para discutir a integração entre generalistas e especialistas. O papel do médico generalista no...

Ácaros e poeira: como evitar que a casa se torne um gatilho para rinite e sinusite

Com a chegada do outono e do inverno, a tendência de manter ambientes fechados favorece a proliferação de ácaros e aumenta o risco de crises alérgicas dentro de casa. Nas estações mais frias, é um hábito comum manter as janelas fechadas e passar mais tempo...