Quarta-feira | 17 de fevereiro, 2021 | 19h


REFORMAS PARA O BRASIL


Alguns especialistas, professores e contabilistas acreditam que a fonte esteja no início do Plano Real, há 25 anos. Mas os gastos públicos já superaram o efeito do programa que criou a moeda.


Gerson Soares


A implantação do Plano Real foi dolorosa, porém necessária para conter a hiperinflação que não tinha mais limites. Mas pagamos um alto custo pela estabilidade econômica que chega aos nossos dias, como afirmou Delfim Netto em 1998.

Entre os motivos mais importantes, se não o mais importante, para o alto valor dos tributos é o crescente aumento dos gastos públicos. São despesas altíssimas com o funcionalismo público, supersalários, mordomias e privilégios que passam muito longe da realidade brasileira.

 

Ilustração é alusiva ao dinheiro gasto para sustentar o Estado brasileiro. Enquanto o salário mínimo no Brasil não passa de 11 notinhas de 100 reais (US$ 204), nos EUA ultrapassa os 1.250 dólares. A comparação é pertinente em vários aspectos demonstrados neste levantamento. Imagem: aloimage

 

Conforme o educador financeiro André Bona e sua equipe, os tributos aumentaram ao longo dos anos para sustentar os gastos públicos. “Após a estabilização do Plano Real, o governo brasileiro reduziu a emissão de moeda e, para que os gastos públicos pudessem continuar sendo financiados pela população, foi necessário aumentar a carga tributária. Este cenário, entretanto, pode ser visto ainda nos dias de hoje. Os gastos públicos avançam a cada ano e, com eles, o volume de impostos pagos pelos cidadãos.”

No dia 29 de janeiro de 2021, o Banco Central divulgou os números do exercício 2020. “No ano, o resultado primário do setor público consolidado foi deficitário em R$703,0 bilhões (9,49% do PIB), ante déficit de R$ 61,9 bilhões (0,84% do PIB) em 2019. Esse resultado anual decorreu de déficit de R$ 745,3 bilhões no Governo Central (10,06% do PIB), e de superávits de R$ 38,7 bilhões (0,52% do PIB) nos governos regionais e de R$ 3,6 bilhões (0,05% do PIB) nas empresas estatais.”

Apesar das variáveis que formam o déficit público, basicamente podemos dizer que o governo gasta mais do que arrecada. As contas estão no vermelho desde 2014. Mesmo diante disso, há relutância do funcionalismo para adequar os seus gastos. Durante o ano de 2020 e a pandemia de coronavírus, o setor não sofreu nenhum corte, enquanto os demais setores da sociedade ainda padecem com a inércia econômica.


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