Os motivos são os mais variados, dentre eles a falta de demanda, ou seja, usuários que realmente intencionem utilizar o dispositivo que justificasse o investimento. Outra questão é a dificuldade para ciclistas comuns pedalarem em um aclive. Mas se isso não fosse suficiente para um possível fracasso, ainda existem os perigos iminentes a cada esquina.


Em levantamento realizado semanalmente pela nossa equipe, desde a segunda semana de abril, constatou a falta de demanda por ciclistas na ciclofaixa recentemente implantada no bairro. A Rua Apucarana é uma das principais vias de acesso para o motorista que trafegar nos dois sentidos da Radial Leste, ou seja quem vem do Centro ou do bairro para acessar o Tatuapé e Jardim Anália Franco, em uma proporção que poderia ser estimada em dezenas de veículos por minuto.

Além disso, a via na qual foi implantada a ciclofaixa pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), órgão da Prefeitura da Cidade de São Paulo, possui ao longo de seu trajeto até a Rua Eleonora Cintra (término), rigorosamente 12 cruzamentos e 6 travessas à direita, nesse sentido, à partir Radial Leste (início).

Custos de implantação

É difícil saber quanto custa implantar ciclofaixas. Estima-se que o custo pode chegar a 180 mil reais por quilômetro. Portanto, com 2 km, a da Rua Apucarana custou aproximadamente 360 mil reais. De acordo com a CET, a estrutura cicloviária de São Paulo possui 731,2 km – faça as contas – e o valor pode ultrapassar 1,3 bilhões de reais. Até o final da gestão atual em 2024, estão previstos 300 km de novas estruturas cicloviárias ao custo aproximado de 540 milhões de reais.

Argumentações junto aos órgãos responsáveis

Nossa reportagem argumentou com a CET sobre a falta de demanda, durante as visitas semanais que reportamos ao longo da Rua Apucarana em dias variados. Ponderamos sobre a real necessidade desse investimento diante de outras ciclofaixas que foram desativadas na região por falta de usuários. Também procuramos alertar sobre os perigos que a via apresenta e a dificuldade, por ser um trajeto em aclive e tráfego intenso. Outro fator preponderante é a desativação da zona azul naquele setor, dificultando o embarque e desembarque de passageiros que se dirigem aos edifícios residenciais e comerciais – consultórios médicos, dentários, laboratórios de análises.

Assista ao vídeo e na sequência leia as respostas dos órgãos responsáveis pela implantação da Ciclofaixa na Rua Apucarana, no bairro Tatuapé, zona leste de São Paulo.

A CET respondeu no dia 23 de abril, como segue

A Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito e da Companhia de Engenharia de Tráfego, esclarece que a ciclofaixa da Apucarana terá 1990 metros, entre a Radial Leste e Rua Eleonora Cintra (CERET), projetada pelo lado direito da via e fará conexão com a ciclovia Caminho Verde, na Radial, e com a ciclofaixa Tatuapé.

A estrutura cicloviária Apucarana foi apresentada e aprovada em audiência pública realizada em 2019, e também pela Associação Comercial da região.

Vale ressaltar que a cidade de São Paulo tem a maior malha cicloviária do País, atualmente com 731,2 km de vias com tratamento para bicicletas.

Conversamos com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que emitiu nota no dia 26 de abril

Referente à implantação da ciclofaixa na Rua Apucarana, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) esclarece que, seguindo as preocupações levadas pelos comerciantes locais, não é a favor da instalação da estrutura cicloviária Apucarana, uma vez que dificulta, por exemplo, a compra por impulso, embarque e desembarque de produtos e clientes.

Também não somos contra ao modal bike. Entendemos que o melhor caminho é o diálogo entre o poder público e os empresários geradores de renda e empregos.

Reforçamos ainda que a Distrital Tatuapé apenas cedeu o espaço para realização da audiência pública, ocasião na qual ela demonstrou sua posição contrária à implantação nesta via.

Diante de novos questionamentos sobre o tema, a SMT e a CET responderam, no dia 26 de abril

A Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito e a Companhia de Engenharia de Tráfego esclarecem que todas as estruturas cicloviárias implantadas na cidade de São Paulo atendem às legislações vigentes como, por exemplo, o Plano de Mobilidade do Município de São Paulo – PlanMob/SP (Decreto Municipal n. 56.834/2016), o Plano Diretor Estratégico (Lei Municipal nº 16.050/2014), além da implantação de 300 km de novas estruturas cicloviárias até o final dessa gestão em 2024.

Atualmente, a cidade de São Paulo tem 731,2 km de estruturas cicloviárias que integram a malha. As novas estruturas cicloviárias têm por objetivo formar uma rede conectada e segura sem prejuízo aos demais usuários/modais do sistema viário da cidade, dando mais uma opção de mobilidade para a população.

A ciclofaixa da Apucarana terá 1990 metros, entre a Radial Leste e Rua Eleonora Cintra (CERET), projetada pelo lado direito da via e fará conexão com a ciclovia Caminho Verde, na Radial, e com a ciclofaixa Tatuapé. O projeto prevê ainda a instalação de focos para ciclistas em cruzamentos com objetivo de melhorar a segurança dos ciclistas.

Todas as implantações foram debatidas com a sociedade, com transparência, por meio da realização de audiências públicas, workshops regionais e durante as reuniões mensais da Câmara Temática de Bicicleta, inclusive com dados disponíveis no https://participe.gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/plano-cicloviario (com destaque para o Mapa disponível no documento).

A quantidade de usuários vem aumentando gradativamente, inclusive com a utilização de entregadores e pessoas que escolheram o meio de transporte para os deslocamentos diários. Vale ressaltar que as estruturas cicloviárias têm como objetivo manter a circulação do modal de forma ordenada e segura.


Destaque – Ciclofaixa na Rua Apucarana próximo ao cruzamento com a Rua Itapeti: sem demanda. Foto: aloimage


Publicação:
Domingo | 28 de abril, 2024



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